maternidade

Violência Obstétrica

A Sociedade Brasileira de Psicanálise colabora com a Revista Psique.

Abaixo, trechos do artigo de Ludmila Frateschi* para a revista Psique nº 141, de novembro de 2017

(…) A paciente obstétrica, justamente por sua vulnerabilidade, mobiliza na figura do atendente questões de poder e submissão. (…) Há quem estude e trabalhe sobre a ideia de que o vulnerável sempre evoca em suas figuras de cuidado desejos sádicos. Ainda que seja assim, algo deveria barrar o ato. (…) Ambos são humanos, com impulsos semelhantes e provavelmente adoecidos. Mas o [profissional da saúde] está submetido a uma Lei, internalizada, que o impede de realizar o impulso.

(…)É interessante notar que uma das garantias mais importantes dada pela legislação à mulher em atendimento obstétrico é poder contar com o acompanhamento de uma figura por ela escolhida. A presença de um terceiro, além de tornar o ambiente mais acolhedor, tem o papel de fazê-lo valer como testemunha, que não está vulnerável, o que ajuda a coibir o ato impensado do agente de saúde.

Ludmila Frateschi é psicanalista. Psicóloga de formação pela USP-SP, pertence ao Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC/FMUSP) e atende em consultório particular. Contato: ludmilafrateschi@gmail.com. Aprovada para o Instituto Durval Marcondes em 2016, Ludmila deve iniciar os seminários e tornar-se membro filiado em 2018.