Diretoria de Cultura e Comunidade

O mal-estar na civilização brasileira

Freud, no ensaio “O mal-estar na civilização”, publicado em 1930, tece vários argumentos sobre a dificuldade dos homens em experimentar a felicidade. Ele afirma que o prazer é um sentimento que dura pouco, exige contraste, e costuma ser bastante restrito. Já, a infelicidade é mais fácil de experimentar e nos ameaçar a partir de 3 pontos:

 

1.    Do nosso próprio corpo condenado a decadência e à dissolução. Impossível evitar angústia e sofrimento decorrentes dessa ameaça constante.

2.    Do mundo externo que pode se voltar contra nós a qualquer momento. Mesmo que tenhamos erigido um mundo cada vez mais tecnológico para nos proteger dessa contingência, continuamos vulneráveis não apenas às forças da natureza, mas também vulneráveis aos acidentes decorrentes dos aparatos construídos para nos proteger.

3.    Dos relacionamentos com outros homens, afinal, os homens não são criaturas dóceis e bondosas, que reagem agressivamente apenas quando ameaçados.

 

 

A Diretoria de Cultura e Comunidade (DCC) irá investigar o mal-estar na civilização brasileira tendo como perspectiva o terceiro ponto levantado por Freud: o sofrimento causado pelos homens, e por suas estruturas sociais, aos homens. Afinal, é inegável que o brasileiro carrega em sua história marcas profundas da herança colonial e escravagista.


A violência subjacente a esse processo impregnou nossa subjetividade e imaginário cultural. Da relação com o conquistador permanecem como legados da sociedade patriarcal restos insolúveis – o racismo, a exclusão social e a melancolia. O que dizer, então, da sensualidade, ternura e melodia, características tão presentes em nossa cultura?

 

O mal-estar brasileiro será examinado nas Artes, a partir da representação dos corpos e em alguns estudos sociológicos, clássicos e contemporâneos.

 

Acreditamos que será um debate interessante, capaz de lançar alguma luz nos sofrimentos atuais. O método psicanalítico nos confere certa capacidade de ir além das perspectivas usuais, das respostas simples e autoritárias. Venham! Vamos refletir sobre algumas características de nossa história.