adoção

Consciência da própria história

*Por Alicia Beatriz Dorado de Lisondo

 

A adoção é uma opção existencial para aqueles que desejam exercer as difíceis funções parentais. Seja o casal heterossexual, homossexual ou monoparental. Será preciso trabalho mental para lidar com as dificuldades, lutos, frustrações, quando não tem sido possível a concepção do próprio filho biológico.

Outras vezes, a decisão de adotar uma criança surge de mandados internos de compaixão, solidariedade, obrigatoriedade. Ou tentativas de reparação por danos fantasiados, fontes de insidiosa culpa.

O “delírio de bondade” (Ahumada, 1999) é também frequente. Os pretendentes à adoção projetam na criança o próprio desamparo e partes carentes da personalidade. Eles, então, assumem uma postura onipotente, poderosa, “livres” da própria pobreza mental.

Uma narrativa frequente é (1): “Nós encontramos você magro, desnutrido, triste no abrigo. Nós cuidamos de você, oferecemos cuidados médicos, escolas, viagens, uma vida de qualidade. Nada lhe faltou e agora você…”.

Para evitar a dor, esse casal deixa de reconhecer o valor do filho, quem lhes deu a possibilidade de serem pais, já que para eles não foi possível a concepção do desejado filho biológico. A esterilidade é negada. Eles depositam a desnutrição psíquica nessa criatura e assim luzem a onipotência.

“Nos sucede esta desilusão porque ele não é nosso filho. ”Para o bebê, a criança e/ou adolescente, quando institucionalizados em abrigos, mesmo quando têm um padrinho voluntário, ou quando vivem em famílias que os acolhem temporariamente, até serem adotados, há uma privação das funções parentais estáveis, em intimidade.

Pais adotantes

Exercer funções parentais suficientemente boas não é tarefa fácil para ninguém; nem para os pais biológicos. Ao dizer “suficientemente boas” nos afastamos dos ideais onipotentes de perfeição, de salvação. Somos apenas  homens, não somos deuses e portanto seres limitados. Claro que transformações sempre são possíveis!

Quando essas funções são adequadas e a criança adotada tem recursos psíquicos e não está gravemente prejudicada pelos traumas sofridos, ela poderá vir a ser um sujeito capaz de brincar, criar, se expressar, conviver, pensar, sonhar.

Os encontros harmônicos, sintonizados, significativos com o filho, que transcendem os cuidados materiais – com moradia, higiene, saúde, alimentação, escolaridade –, promovem o crescimento psíquico.

“Mamãe limpa este bumbum cheio de cocô para você ficar limpinho, perfumado, meu tesouro. O bebê com o olhar fixado no seu rosto dá gargalhadas em quanto flexiona e estica as perninhas. ”Nessa cena do método de observação de bebês, modelo de Esther Bick (3), a observadora é testemunha de uma relação misteriosa e estética entre a mãe e Pedro, de 8 meses. Ambos revelam encantamento recíproco. Ele busca e se encontra refletido no olhar da mãe, espelho vivo. Para essa mãe, seu filho é um tesouro que expressa sua alegria com a movimentação das pernas e as gargalhadas. Ela lhe atribui valor e, assim, a autoestima é construída.

A paternidade brinda a oportunidade de mergulhar na própria história de vida dos progenitores. O bebê, a criança, o adolescente estão presentes no adulto, fazem parte da personalidade total dos pais. Esses registros são evocados. Às vezes, há uma possibilidade de ressignificar esse percurso; outras, há uma repetição compulsiva.

“Eu não quero que Theo sofra o que eu tenho sofrido com o autoritarismo, a arrogância, a estupidez do meu pai, com a pobreza, com a vida dura.”

Às vezes, os pais não têm consciência da própria história de vida e, com a intenção de “mudá-la” com e para o filho, repetem o mesmo script. Ambos vivem a invariância da história, como as duas caras de uma mesma moeda, com múltiplas variações. O filho, que agora é pai, pode continuar aprisionando pelo próprio mundo interno e agora arrasta Theo a seu calvário.

A transmissão psíquica intergeracional permite que elos unam a nova geração com as anteriores. Os valores, o álbum de família, as obras, as condecorações, as receitas dos avós, os tesouros herdados, as relíquias, as histórias narradas estreitam os laços familiares.

O novo ser estranho, desconhecido, às vezes de outra raça, poderá ser enraizado numa árvore genealógica. Na adoção, o filho bem recebido poderá se apropriar dos valores e ideais dos antepassados. Os antecedentes genéticos, orgânicos, podem ser desconhecidos, mas a transmissão psíquica é de outra ordem. Avós, tios, primos, na família ampliada, são, em certas comunidades, muito importantes e podem propiciar ora um ambiente facilitador, ora um ambiente perturbador para o crescimento mental.

A transmissão psíquica permite que os antepassados estejam presentes como modelos indenitários. Enraizar o filho adotivo na árvore genealógica é legitimar seu lugar na família ampliada do casal adotante. Importam a aceitação e a integração verdadeiras do novo integrante na família ampliada. Um berço mítico é construído com o tecido da tradição renovada.

“Eu guardei para uma possível neta o anel de brilhantes de casamento da minha mãe. Agora que ela chegou, esse é nosso presente para Ana.” “Esta avó recebe Ana como sua neta. Ela presenteia a menina com a joia da bisavó, que consagrou seu casamento. Gesto que enlaça Ana aos elos entre as gerações.” Outras vezes a herança é maldita, perturbadora, uma transmissão transgeracional (Kaës & Faimberg, 1996). Nela, o que não foi processado, elaborado pelos avós, pais, pesa sobre a prole como registros ingovernáveis que não podem vir a ser representados, simbolizados, pensados.

Conhecer tanto quanto seja possível a forma como cada progenitor viveu a vida, entrar em contato com os próprios fantasmas e com as potencialidades de transformação são antídotos para a transmissão transgeracional na descendência (Faimberg, 1996; Kaës y Faimberg, 1996; Gampel, 2002, Trachtenberg et al., 2005). A transmissão de fardos, mentiras, segredos, cruzes, dogmas sufoca a mente do infans em formação e pesa mais quando uma criança já foi traumatizada. Uma paciente em análise relata:

“Eu sempre me senti feia, inferior, desajeitada, desvalorizada, meus ombros largos, a cor da minha pele, meu cabelo crespo marcavam minha raça. Eu lembro que, após a missa pelas bodas de ouro de meus avós maternos, o fotógrafo estava tentando acomodar todos na escadaria da igreja. Como sempre, eu estava quase escondida num canto. Ninguém me percebia. Mas o fotógrafo perguntou: Essa menina é dessa família? Tinha gente chegando para um casamento. “Minha vó respondeu: Claro que ela não é dessa família! Você não está percebendo o cabelo bombril? Eu não estou em foto alguma, eu não era querida.”

A mudança do nome

O nome é o berço da identidade, ele condensa desejos, projetos identificatórios, modelos de inspiração dos pais. A mudança do nome da criança adotada revela as dificuldades dos pais para aceitar a própria história e a do bebê. Sua vida não começa ao chegar na família. Ele tem registros sonoros de um nome que o nomeia. A mudança de nome pode aumentar o sentimento de estranheza.

O nome tem tanta importância na formação da subjetividade que quando nasce um bebê e é abandonado no hospital, ao chegar a um abrigo, importa que o cuidador mais encantado, mais próximo emocionalmente ao infans, o batize com o nome de sua preferência, para submergê-lo na cultura e no processo de humanização.

Chamar uma criatura como boneco, E.T., alienígena, pretinho é aliená-lo da condição humana. Quando os pais colocam o nome de um familiar morto há uma cruz a carregar que pode pesar num self já traumatizado.

“Um casal perde um bebê concebido com as técnicas de fertilização assistida (TFA) após várias tentativas aos 2 meses de idade. Não consegue engravidar novamente. Minhas hipóteses sugerem que há um terrível luto não elaborado, um terror que impede implante do embrião. Rapidamente, adotam um bebê quando são chamados pela Vara. Eles substituem o bebê morto “escolhendo” seu nome para o bebê adotado, que é colocado de saída num caminho sombrio.

“Esse nome condensa a história de dor ante as múltiplas perdas, ante uma primogênita não sepultada. Consultam, a pedido do pediatra, por que Luz, de 13 meses, apresentava sinais de transtornos autistas: não olhava nos olhos, não sorria, não brincava, não tinha linguagem pré-verbal, com grave hipotonia, preferia segurar objetos duros nas mãos. Pais enlutados, tristes, desvitalizados não podiam investir com o esforço que uma criatura assustada, isolada, não responsiva exigia deles. Ela estava protegida numa porosa barreira autista. Com a intervenção psicanalítica na família, os pais, o irmão e a paciente, foi possível que Luz saísse de seu refúgio autístico e construísse vínculos emocionais.”

A história da adoção

Quando a adoção não é legitimada pelo processo judicial, as fantasias inconscientes de roubo do bebê estarão potencializadas. Histórias de mentiras e segredos sobre a trama da adoção também podem pesar como fantasmas no infans adotado.

Elas dificultam o exercício da paternidade. Pais inculpados perdem a espontaneidade, a naturalidade, a capacidade intuitiva. Os pais adotantes de Édipo são um exemplo paradigmático. Eles podem interpretar como castigo qualquer atitude do filho que os desagrade. Um clima persecutório pode permear a relação com temores exacerbados sobre a possível perda do filho.

É oportuno também citar, nesse apartado, as frustrações, a dor, o sofrimento, o ressentimento dos pais quando não é possível conceber um filho com as TFA, apesar das múltiplas tentativas.

Muitos fatores podem estar entrelaçados e contribuir para a não formação do embrião, as dificuldades de implantação, os abortos espontâneos etc.

Sem deixar de ter em conta os aportes de outras ciências, cabe destacar que fatores emocionais podem estar presentes e perpetuar a esterilidade enigmática. Quando a adoção de uma criança não foi a primeira opção do casal, mas a saída, quando esgotados os recursos psíquicos para investir novamente nas TFA, a presença mental do sonhado filho biológico idealizado pode estar muito arraigada.

Os pais que não podem pensar nas possibilidades e riscos da adoção podem interpretar os sinais de perturbações emocionais no filho como a evidência da herança genética.

“Ele é impulsivo, agressivo, rebelde, explosivo, pelo sangue ruim. Doutora, isso é genético, está marcado no DNA.” “Analista: Nós não sabemos sobre as marcas no DNA! Quando os senhores relatam que ele quer voltar a este consultório, ele mostra um caminho esperançoso. Muitos fatores podem estar presentes, entrelaçados em Luiz para ele estar assim.”

O desconhecido pode ser muito assustador e perturbador, fonte de fantasmas aterradores. A busca de explicações causais, deterministas X determina Y; a impossibilidade de tolerar incertezas, os dogmas organicistas dificultam as possibilidades de transformação que a Psicanálise pode oferecer.

Estrutura dos ideais

Por que queremos um filho na nossa vida? Freud (1914) sugere que a descendência permite ao ser humano lidar com a própria morte. O filho permite transcender a vida dos pais. É a obra que permanece.

O paradoxo é como continuar essa cadeia de gerações, como levar os apelidos dos pais e, simultaneamente, se diferenciar deles, ser você mesmo e não ficar aprisionado nas garras do narcisismo parental.

Os pais têm projetos identificatórios sobre a descendência, sonhos, desejos que nutrem a vida mental em formação quando bem usados. Um ideal presente seria ter podido gestar e parir o próprio filho biológico mesmo com as TFA.

Outras vezes, os adultos exigem dogmaticamente, impõem ideais como se o filho fosse uma possessão, um troféu, e não um ser humano diferente deles. Não há uma relação de alteridade, e sim de domínio (Lisondo, 2011).

Especificamente na adoção, os pais podem interpretar o filho que dá trabalho: as solicitações de permanente contato corporal, os caprichos, o negativismo, as reivindicações, os transtornos da alimentação e do sono, os problemas escolares, o choro incompreensível, as somatizações, o necessário confronto geracional na adolescência seriam como desagradecimento.

O filho pode estar anos-luz dos ideais parentais que negam o sofrimento da adoção e as demandas emocionais do infans.

Essa distância é fonte de depressão, desilusão, ferida narcísica. Como se as perturbações na prole denunciassem as falhas nas funções parentais, fonte inesgotável de culpa. Os pais podem vir a ser os melhores aliados do analista e apostar no percurso para uma vida com menos sofrimento para todos os envolvidos. O determinismo entre causas e efeitos é obsoleto. Múltiplos fatores entrelaçados podem configurar os transtornos na vida emocional do filho.

O bebê adotado

A maioria dos casais que pretende adotar uma criança opta por um bebê. Essa escolha é humanamente compreensível, porque se o infans é adotado após o nascimento, a institucionalização em abrigos ou famílias acolhedoras pode ser evitada (Levinson,2004).

O trauma pela perda da mãe biológica, pela fratura entre o mundo pré-natal e pós-natal estará presente, mas o bebê poderá vir a construir um vínculo com a mãe adotante (Lebovici, 2004; Lisondo, 2010), mesmo quando ambos sejam estranhos (Freud, 1919).

O bebê perde o conhecido mundo sensorial, a vivência de continuidade. A privação de abrigo num útero mental, no momento da dependência absoluta, provoca angústias catastróficas primitivas de dilaceramento, liquefação, precipitação, fear of breakdown (Winnicott, 1974).

A qualidade dessa relação misteriosa mãe-bebê-família dependerá do encontro entre as expectativas do bebê, seu arsenal genético, as condições do parto, os sinais vitais e o mundo psíquico dos pais. O amparo, continência que a mãe possa receber do pai e da família ampliada, permitirá que ela ganhe confiança e possa exercer com rêverie a nova função.

E quando a adoção não é de um bebê e sim de uma criança mais velha? Além dos traumas já citados, a criança sofre com a institucionalização. Isso porque os abrigos representam um mal necessário. Pela própria estrutura, várias crianças têm um só cuidador e ele não é estável. Em trabalho anterior (Lisondo, 2011), menciono que, pelos diferentes turnos e plantões, uma criança pode vir a ter 11 cuidadores por semana.

Não é possível criar uma relação de intimidade e confiança com cada um deles. A sensorialidade é fundamental no início da vida. Cada funcionário tem um timbre de voz, um vocabulário, uma entonação, um perfume, uma forma de contato corporal. Para o cuidador é muito difícil, salvo exceções, ter um espaço mental singular e único para cada uma das crianças que cuida.

Trabalho do psicanalista

O trabalho entre o psicanalista e os pais para pensar a adoção, em qualquer momento do processo (2), permitirá criar um espaço psíquico para o filho. Ao lidar com as dores da alma, elaborar os lutos ante a esterilidade, a não concepção do sonhado filho biológico, a transmissão genética, os futuros pais podem revitalizar suas potencialidades e criar melhores condições psíquicas para acolher, compreender e promover o desenvolvimento dessa criatura já traumatizada ao invés de perpetuar queixas melancólicas.

Para saber mais:

Complexo fraterno

O ECA (4) sugere que os irmãos não sejam separados, sempre que possível. Nem sempre os pais adotantes têm disponibilidade para adotar toda a confraria.Em famílias disfuncionais os irmãos nem sempre convivem, tendo diferentes pais e/ou mães. Como diz um pai adotante numa entrevista:
“Ninguém pode impor amar por decreto lei.”
Ou seja, a adoção de um filho nasce das entranhas do ser. O inconsciente não respeita regras.

Nesses difíceis complexos fraternos, às vezes laços de irmandade são criados com outras crianças do abrigo. Uma peculiaridade é a culpa por ter sido o escolhido, enquanto o irmão, o coleguinha, continua institucionalizado.

O projeto “Fazendo história”

O projeto desenvolvido em 2019 tem um valor terapêutico em si mesmo. Nele a criança compartilha com um voluntário treinado os recortes significativos de sua vida num caderno: nascimento, chegada ao abrigo, amigos, esportes e brincadeiras preferidas, ídolos, medos, pesadelos, sonhos, projetos… Também dados dos pais biológicos. Essa narrativa é digitalizada e consta no processo no fórum. Os pais adotantes recebem o filho com essa história afetiva e não só com um prontuário médico. A adoção suficientemente boa é a realização da expectativa esperada, o sonho de encontrar uma família, um lar de verdade. Ver gráficos:

 

No Brasil

Dados de 2019 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que existem, aproximadamente, 47 mil crianças e adolescentes em situação de acolhimento no Brasil. Do total, 9,5 mil estão no Cadastro Nacional de Adoção e somente 5 mil estão, efetivamente, disponíveis para adoção. A criança passa a constar da lista de adoção depois de tentativas de reinserção na família de origem falharem, e se não houver formas de a criança ficar com a família extensa – tios e avós, por exemplo.

O método Bick

O método Bick de observação de bebês foi criado em 1948 pela psicanalista britânica Esther Bick, com o objetivo de acompanhar a relação mãe-bebê. Seu principal intuito foi oportunizar aos estudantes uma experiência prática com bebês, reconhecendo o benefício que o método pode trazer à formação clínica.

Referências

Ahumada, J. L. Descobertas e Refutações: a Lógica do Método Psicanalítico. Rio de Janeiro: Imago, Freud, S. Itroducción del Narcisismo. In: Freud, S. Obras Completas, v. 14, p. 65-104. Buenos Aires: Amorrortu,

__________ Lo Ominoso. In: Freud, S. Obras Completas, v. 17, p. 217-252. Buenos Aires: Amorrortu, 1919. Gampel, Y. El Dolor de lo Social. Buenos Aires: Psicoanálisis,

Instituto Fazendo História. Uma nova história de acolhimento. In: Famílias Acolhedoras (), IFH, 2019.
Kaës, R.; Faimberg, H. La Transmisión de la Vida Psíquica entre Generaciones. Buenos Aires: Amorrortu.

Lebovici, S. Diálogo Leticia Solis-Ponton e Serge Lebovici. In: Pereira da Silva, M. C. (Org.). Ser Pai, Ser Mãe. Parentalidade: um Desafio para o Terceiro Milênio. São Paulo: Casa do Psicólogo, Lisondo, A. B. D. Rêverie revisitado. In: Revista Brasileira de Psicanálise, v. 44, n. 4, p. 67-84,

__________ Filiação simbólica ou filiação diabólica? Proferida na I Jornada Brasileira Interdisciplinar sobre Homoparentalidade,

__________ O desamparo catastrófico ante a privação das funções parentais. Na adoção, a esperança ao encontrar o objeto transformador. In: MELLO, R. A. A.; NUNES, W. Des-amparo e a Mente do Analista, p. 193-232. São Paulo: Blucher,
Levinzon, G. K. Adoção. São Paulo: Casa do Psicólogo,
Trachtenberg, A. R. Transgeracionalidade de Escravo a Herdeiro: um Destino entre Gerações. São Paulo: Casa do Psicólogo,
Winnicott, D. W. Fear of breakdown. The International Review of Psycho-Analysis, v. 1, n. 5, p. 103-7,


Alicia Beatriz Dorado de Lisondo
é psicanalista didata, docente, psicanalista de crianças e adolescentes pelo IPA do GEP Campinas e da SBPSP, membro de Alobb, cocoordenadora do Grupo de Adoção e Parentalidade da SBPSP e membro do grupo de Pesquisa Protocolo Prisma na SBPSP.

* Este artigo foi publicado pela revista Psique (número 170).

Meu irmão é adotado

* Cynthia Peiter

“Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado”. Assim começa o imperdível livro de Julián Fuks, “A Resistência”.

Gostaria de me deter sobre estes embaraços do autor na designação ao irmão. Sua inquietação, muito verdadeira e absolutamente apropriada, indaga sobre a inconveniência do termo e parece apontar para um certo mal-estar que permeia o tipo de filiação adotiva.

Seria este, um mal-estar ligado a especificidades deste modo de ter filhos? O que estaria em jogo nestas hesitações tão genuínas e tão comuns?

Ser “adotado”, de fato, limita-se a uma única face de uma história muito mais complexa. Acredito que a hesitação presente na formulação do autor alude a algo da ordem do “não dito” que subjaz ao termo adotado. O que o termo não diz, mas que traz implícito, é também o que leva os interlocutores a “assentir com solenidade, disfarçando qualquer pesar, baixando os olhos como se não sentissem nenhuma ânsia de perguntar mais nada”. Que pergunta seria essa que não se cala mas ressurge nestes silêncios enigmáticos?

A insuficiência do termo “adotado” e seus mal estares difusos aponta silenciosamente para a existência de uma outra história. Há um tipo de pré-história da adoção, que em nosso país está permeada de mistérios e de pesares. A estes pesares inquietantes, o autor alude em longo e tocante parágrafo no qual todas as sentenças começam dizendo “não quero imaginar…”.

A adoção per se, como um processo de apropriação de uma criança como filho, pode ser uma história comum – um tipo de vinculação não sustentada pelo vínculo biológico, e que é essencialmente simbólica e afetiva. Assim como deveriam ser também todas as modalidades de filiação. A condição humana nos coloca frente à necessidade de um encontro com um outro que nos ofereça amparo e que realize um tipo de “adoção”, inserindo-nos em uma rede afetiva e simbólica na qual nos construímos e reconhecemos como sujeitos. Esta é uma inscrição necessária a qualquer criança, e aponta para a primazia do laço simbólico sobre o laço sanguíneo. Ouvimos com frequência a assertiva de que “todas as crianças são adotadas”, tendo laços sanguíneos ou não com sua família.

Entretanto, no processo de inclusão de uma criança em uma família adotiva, é comum  esquecer que a criança traz consigo uma outra história que foi interrompida – uma descontinuidade histórica. A pré-história que vem no bojo das adoções, em nosso país, implica em significativas rupturas, separações, experiências de lutos e de sofrimentos a serem processados psiquicamente. Na verdade, a adoção surge como uma forma de contornar e muitas vezes de suturar feridas e dores vividas pelas crianças, pelos pais adotantes e também das famílias que entregam ou perdem estas crianças. As histórias de adoção entrelaçam percursos de pais que, por razões diversas, não puderam ou não quiseram ter seus filhos biologicamente e de outros pais que não puderam seguir cuidando dos filhos que geraram. Assim, o processo de adotar crianças fala de esforços para contornar complicadas desordens.

Tais desordens conduzem as crianças adotadas à experimentação de descontinuidades e de rompimentos de vínculos de difícil compreensão e elaboração psíquica. Histórias fragmentadas e possivelmente dramáticas requerem a abertura de espaços de memória e de pensamento que possam permitir a criação de sentidos para aquilo que não foi significado psiquicamente. Um desafio a mais na delicada tarefa de cuidar de filhos que impõe aos pais adotivos uma função de reconstruir narrativas para histórias tão complexas.

Sobre este desafio de encontrar palavras apropriadas que deem conta da complexidade das histórias de adoção e de seus não ditos, Julián Fuks nos ensina em seu livro, com dor e delícia.

Fuks, J. a Resistencia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

**A imagem é a capa do livro “A Resistência”, da Julián Fuks.

Cynthia Peiter é psicanalista da SBPSP e autora de livros e diversos artigos sobre adoção e psicanálise, entre eles: Adoção – Vínculos e Rupturas; e Atendimento Psicanalítico na Adoção.

A curiosidade na adoção

Gina Khafif Levinzon

A curiosidade é compreendida, segundo o vértice psicanalítico, como uma função de saúde psíquica. Está associada ao impulso natural para o crescimento, mas depende de condições ambientais para que possa manifestar-se na sua plenitude. Klein (1921) associa a curiosidade ao instinto epistemofílico. Bion (1962) denomina Vínculo K a relação que existe entre um sujeito que busca conhecer um objeto e um objeto que busca ser conhecido. Identificamos já no bebê pequeno a exploração contínua de um mundo a descobrir e consideramos que nas crianças de todas as idades é natural haver perguntas sobre os assuntos mais diversos.

Quando falamos em crianças adotivas encontramos esse mesmo movimento no sentido de desbravar o desconhecido, acrescido de indagações sobre a história de sua família de origem genética. À pergunta: “De onde vim?”, somam-se várias outras: “Por que minha mãe não ficou comigo?”; “Fui amado?”; “Sou o causador da separação?”; “Matei minha mãe com meu nascimento?”; “Quem são meus pais?”; ”O que aconteceu?”…  Explorar esse universo da origem expõe a criança a situações de dor, por vezes de mágoa, e de contato com um campo cheio de lacunas incompreensíveis. Por outro lado, essa investigação permite que o adotado construa de forma sólida um sentimento de identidade, baseado na realidade. De modo geral, quando tudo corre bem, a dor é contrabalançada pela estabilidade e harmonia do lar adotivo. Ao explorar sua história e seus sentimentos, a criança fica livre para explorar o mundo.

Uma das dúvidas e angústias mais frequentes dos pais adotivos é quando e como contar à criança que ela é adotada. Há hoje um consenso geral de que a criança precisa saber de sua condição de adoção. Em geral, isso ocorre a partir das próprias indagações da criança sobre sexualidade, por volta dos três ou quatro anos de idade, quando ela quer saber de onde vêm os bebês. Essa pergunta a remete, assim como aos pais, diretamente à questão de sua origem. Costumamos dizer que o melhor para a criança é ter a ideia de que “sempre soube que era adotada”, que não houve o “dia da revelação”.

A experiência clínica mostra que as perguntas do filho sobre adoção são feitas quando há espaço psíquico para essa investigação.  Pais muito angustiados com relação à sua parentalidade podem reprimir, de forma consciente ou inconsciente, a busca de uma história anterior ou de um sentido para a separação da criança ou do adolescente em relação à sua herança biológica. Quando a esterilidade do casal adotivo não está bem elaborada, conversar com a criança sobre sua origem biológica significa assumir sua impossibilidade de gerar filhos. Nestes casos, há uma ferida narcísica difícil de ser superada, acompanhada pelo sentimento de castração da fantasia de continuidade biológica e da imortalidade dos pais (Levinzon, 2004).

Pesquisas realizadas mostram os prejuízos causados na aprendizagem pela dificuldade em lidar com a investigação sobre a adoção. Como estar aberto para aprender se há portas e janelas importantes fechadas no caminho do conhecimento?

Segundo Winnicott (1955), mais do que informações, as crianças precisam de pais confiáveis, que estejam ao seu lado na busca da verdade e que compreendam sua necessidade de viver as emoções apropriadas às situações reais. Elas têm uma capacidade incrível de descobrir os fatos, que são simplesmente aceitos como fatos. O mistério pode gerar um problema muito maior, e permite a criação de fantasias perturbadoras.

O medo de perder o filho inclui muitas vezes a ideia de que, sabendo de sua história, ele irá procurar os genitores. Afinal, quem são os pais verdadeiros? A insegurança dos pais adotivos não se sustenta na realidade. Os pais verdadeiros são aqueles que criam a criança por toda uma vida, que lhe dão seu nome, suas horas de sono, seus valores, seu amor, seus limites e seus cuidados. Em condições normais, o filho não irá questionar sua importância. Sua investigação servirá para que tenha uma noção mais inteira de si mesmo.

No campo da adoção, a curiosidade pode ser perturbadora para todas as partes da família, mas é essencial na constituição de bases verdadeiras. Nosso trabalho, como analistas, é auxiliar todos neste trajeto precioso que é a apropriação de si mesmo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Bion, W. – (1962) O aprender com a experiência. In: Os Elementos da Psicanálise. Trad. Jayme Salomão e Paulo Dias Corrêa.  Rio de Janeiro, Zahar ed., 1966. p.11-117.

Klein, M. – (1921) O desenvolvimento de uma criança. In: _______ Contribuições à Psicanálise.   Trad. Miguel Maillet.  São Paulo, Mestre Jou Ed., 1981. p.15-85.

Levinzon, G. K. –  Adoção. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2004.

Winnicott, D. W. – (1955) A adolescência das crianças adotadas. In: In: Sheferd, R. – D.W.Winnicott- Pensando sobre crianças. Trad. Maria Adriana V. Veronese. Porto Alegre, Artes Médicas, 1997, p. 131- 140.

 

 

Gina Khafif Levinzon é psicanalista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, doutora em Psicologia Clínica pela USP, professora do Curso de Especialização em Psicoterapia Psicanalítica da CEPSI-UNIP e autora dos livros: “A criança adotiva na psicoterapia psicanalítica”, “Adoção” e “Tornando-se pais: a adoção em todos os seus passos”. E-mail: ginalevinzon@gmail.com

Falando sobre adoção…

Com organização da Sociedade Brasileira de Psicanálise de SP acontece, dia 09 de agosto, na sede da SBPSP (Av. Cardoso de Melo, 1450, Vila Olímpia), a 1ª Jornada de Adoção e Contemporaneidade, que tem como público-alvo psicanalistas, psicólogos, médicos, juristas e interessados pelo assunto. Durante o evento serão discutidas questões importantes relacionadas ao processo de adoção, tais como os aspectos jurídicos, os sentimentos de pais e filhos adotivos, a adoção inter-racial, a preparação para adoção, o panorama das mães biológicas detentas, entre outros. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pela página da SBPSP, no link http://tinyurl.com/o8sgqnl.
Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, o Blog de Psicanálise conversou com as psicanalistas Gina Levinzon e Alicia Lisondo, organizadoras da jornada e membros da SBPSP. Confira abaixo a entrevista completa:

1. Por que uma jornada para discutir o tema da adoção?
O tema da adoção é essencial para a sociedade porque trata das necessidades mais básicas do ser humano que são prover uma família para uma criança e, ao mesmo tempo, um filho para aqueles que desejam exercer seu papel de pais, em situações em que os vínculos não podem ser biológicos. Estudar os diversos ângulos que permeiam o processo de adoção permite que se criem condições para o estabelecimento de relações saudáveis e sintônicas nas famílias que se formam.
Nossa Jornada sobre Adoção na SBPSP visa contribuir com esse olhar, ao levar o vértice Psicanalítico aos profissionais envolvidos com o tema, às instituições, aos pais adotantes e à comunidade de modo geral. Entendemos que a Psicanálise nos dá ferramentas valiosas para melhor compreensão do ser humano, e especialmente no campo da adoção compreender o que se passa com a criança e os pais é primordial. A Jornada tratará de temas como: os sentimentos de pais e filhos adotivos, a adoção inter-racial, os aspectos jurídicos do processo de adoção, a preparação para adoção, o panorama das mães biológicas detentas e a adoção em Israel e na Europa.

2. Quais os sofrimentos psíquicos mais recorrentes entre pais adotantes e filhos adotivos? Como preveni-los?
Do ponto de vista da criança, há de início o trauma da separação dos pais biológicos, as situações de desamparo e abandono, e a vida em abrigos onde esperam por pais que possam cuidar delas. O filho adotado teme reviver o trauma da rejeição. A insegurança nos vínculos de filiação pode ser potencializada ou elaborada segundo a função parental. Dizer à criança: “Você será devolvido ao abrigo” aumenta a insegurança. Por outro lado, a mensagem: “Eu sou tua mãe, seja o que for que aconteça” ajuda a criar um vínculo de segurança.
Do lado dos pais há as motivações para a adoção que precisam ser elaboradas. Frequentemente encontramos situações de esterilidade. Muitas vezes há uma longa espera para receber o filho, assim como a adaptação a uma criança que não foi acompanhada por eles desde o início de sua vida. Os pais necessitam conciliar o “filho imaginado” ao “filho real”, com toda a sua história anterior.
Muitas vezes os pais temem que o filho seja ou apresente problemas. Na verdade, dificuldades existem com qualquer filho, adotado ou não, e não podem ser interpretadas tendo como causa única a adoção. Outras vezes o filho é recebido como um herói, ou como “coitadinho”, e os pais o superprotegem ao invés de colocar os limites necessários para seu desenvolvimento emocional.
A preparação dos pais para a adoção é um dos pontos-chave para o sucesso deste tipo de filiação. Estar em contato com seus sentimentos, expectativas e temores, saber o que se pode esperar e refletir sobre como lidar com os desafios que vão surgindo contribui muito para isso. Não há fórmulas, pois as questões humanas são complexas. A prevenção é sempre um bom caminho a ser percorrido. Quanto mais cedo se possa intervir, com acompanhamento psicológico aos pais e à criança, melhores as possibilidades de desenvolvimento. Entendemos que a Psicanálise oferece ferramentas valiosas para este tipo de trabalho.
Também consideramos importante que as instituições que abrigam as crianças à espera de adoção possam contar com o auxílio de um analista. É fundamental para os cuidadores ter um espaço para refletir e compreender a configuração psíquica das crianças do abrigo. Estas instituições são os berços de vida e de desenvolvimento mental. Seu papel é fundamental para estimular o investimento afetivo nas crianças, e para propiciar que a criança seja agente, autor, que aprenda a tomar decisões. Sugere-se que sejam estimulados jogos, brincadeiras, representações teatrais. Da mesma forma, construir a história de vida e registrar em álbuns e filmes os colegas do abrigo, do quarto compartilhado, da equipe permite que a criança sinta que tem uma existência que vale ser lembrada. Acontecimentos importantes como aniversários ou primeiro dia de escola podem ser registrados. Assim, quando adotada, a criança levará, além do prontuário médico, uma história de sua vida. O que a ajudará no desenvolvimento de seu sentimento de dignidade, auto respeito e autoestima.

3. Recomenda-se algum tipo de preparo psicológico antes da adoção, para pais e eventuais irmãos?
A Nova Lei de Adoção (Lei n. 12.010/09) estabelece que os futuros pais devem se preparer para a adoção. Frequentar grupos organizados pelos próprios fóruns não é obrigatório, mas é aconselhável. Para os pais, esses grupos funcionam como os cursos pre¬paratórios que as gestantes e seus companheiros.
Além desses grupos, é importante também o trabalho psicanalítico com os futuros pais adotantes. O psicanalista tem compromisso ético com o sigilo e a intimidade. Não julga nem avalia. E ajudará os pais na tomada de consciência da rede de emoções, fantasmas, projetos identificatórios, sonhos, expectativas e o lugar desse filho na história da família, de modo a lidar melhor com os diversos passos do processo. Os irmãos também necessitam de preparação para a chegada do irmão. Muitas vezes vão buscar o irmão adotivo junto com os pais no abrigo.
Crianças maiores necessitam de um período de convivência e preparação até que a adoção seja efetivada, já que até então, sua família era constituída pelos profissionais do abrigo. Laços que foram criados terão que ser desfeitos.

4. Existe um perfil psicológico das pessoas que buscam adotar uma criança?

Os pais podem apresentar uma situação de esterilidade por motivos fisiológicos, em alguns casos psicológicos ou por doenças diagnosticadas. Podem ter tentado métodos de fertilização assistida sem resultado, com o sofrimento potencializado ante reiteradas frustrações. Com as atuais mudanças na família, encontramos também entre os adotantes casais homossexuais e famílias monoparentais. Há ainda quem não esteja mais em idade de procriar biologicamente e aqueles que optam por criar um filho adotado mesmo sem problemas para engravidar.

5. De que maneira a psicanálise pode ajudar famílias com filhos adotivos?
A psicanálise pode atuar nos diversos momentos do processo de adoção:
– Na preparação dos pais para adoção;
– No acompanhamento aos pais depois de realizada a adoção. Eles expõem suas dúvidas e angústias e encontram um espaço para pensar em conjunto com o psicanalista;
– No trabalho com a criança em psicoterapia, quando necessário;
– No trabalho com os pais em psicoterapia, quando necessário;
– No trabalho psicoterapêutico com a família ou com os irmãos, quando necessário.

6. Do ponto de vista psicológico, é importante para a criança saber que ela é adotada? Em que momento isso deve vir a tona?
É essencial a criança saber que é adotada. Ela tem o direito de saber sua origem para construir um sentimento de identidade baseado na verdade. Afinal, se fechados os olhos para sua própria história, fecha-se também a possibilidade de aprender o que vem de fora.
Normalmente a conversa sobre a adoção acontece quando a criança começa a se interessar sobre de onde vêm os bebês. A pergunta “como nasci” leva diretamente ao tema “de que mãe nasci”…
A verdade pode ser compartilhada entre pais e filhos como um gesto espontâneo e não como obrigação moral. A conversa sobre a adoção surge quando os pais estão abertos a essas questões e permitem que os filhos tenham curiosidade e desejem investigar. Os pais precisam estar seguros quanto ao seu papel: eles é que são os verdadeiros pais.

7. Como lidar com a vontade do filho adotado de conhecer os pais biológicos?
Nem todos os filhos adotados desejam conhecer seus pais biológicos. Quando manifestam esse desejo, os pais devem apoiar o filho nesta busca, desde que ele já tenha idade para isso. É aconselhável que se espere a entrada na vida adulta, para que o adotado tenha condições de lidar melhor com a situação. A busca pelos pais biológicos é um passo na busca da construção de um sentimento de identidade própria. Conhecê-los não significa de modo algum renegar os pais adotivos.
Cada caso tem sua singularidade e especificidade. É preciso saber a verdadeira disponibilidade interna dos pais adotantes para esse encontro. Também é indicado avaliar se há um desejo legítimo dos filhos adotados, porque esta questão pode ser usada como ameaça, chantagem, ou confronto na crise do adolescente diante de pais adotantes inseguros, assustados e temerosos de vir a perder o lugar de pais. Também é importante pensar com bom senso e não perder o contato com a realidade. Nem sempre é possível encontrar os pais biológicos sofridos que não tiveram a chance de cuidar do próprio filho…

ALICIA DORADO LISONDO
Psicanalista Didata, Membro Efetivo da SBPSP. Psicanalista de Crianças e Adolescentes da SBPSP. Psicanalista Didata do GEP de Campinas. Coordenadora do Grupo de Estudos sobre Adoção da SBPSP. Docente na SBPSP.

GINA KHAFIF LEVINZON
Psicanalista, Membro Efetivo da SBPSP. Doutora em Psicologia Clínica – USP. Coordenadora do Grupo de Estudos sobre Adoção da SBPSP. Autora dos livros: “A criança adotiva na psicoterapia psicanalítica”, “Adoção”, e “Tornando-se pais: a adoção em todos os seus passos”. Docente na SBPSP.