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A SBPSP manifesta seu apoio às cartas das organizações psicanalíticas federadas FEBRAPSI e FEPAL, nas quais é denunciada a recente manifestação de violência contra crianças migrantes e suas famílias por parte do governo dos Estados Unidos

A Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo manifesta seu apoio às cartas das organizações psicanalíticas federadas FEBRAPSI e FEPAL, nas quais é denunciada a recente manifestação de violência contra   crianças migrantes e suas famílias por parte do governo dos Estados Unidos. Transcrevemos a seguir o Pronunciamento da Presidente da Associação Psicanalítica Internacional, Dra. Virginia Ungar, ao qual declaramos nossa total adesão.

Bernardo Tanis

Presidente da SBPSP

 

Pronunciamiento del Presidente de la API con respecto a la Violencia hacia Niños Migrantes

Las noticias que han circulado por los medios sobre la terrible decisión de separar a los hijos de inmigrantes de sus familias en Estados Unidos han puesto el foco en una desoladora situación de maltrato hacia los niños que ocurre también en otras latitudes, como el Mediterráneo, Medio Oriente y África, entre otras.

Hace varios años que la situación de los inmigrantes y sus familias es desesperante, pero lo ocurrido en Estados Unidos ha levantado la indignación mundial contra los que no respetan los derechos básicos de las personas.

La Asociación Psicoanalítica Internacional (API) ha creado espacios para estudiar a fondo el problema y también para ofrecer intervenciones basadas en la teoría y en la práctica psicoanalíticas. Hemos inaugurado recientemente una nueva estructura llamada API en la Comunidad, compuesta por varios comités entre ellos Migraciones y Refugiados, Organizaciones Humanitarias, Educación, Salud, y Violencia. Trabajan junto con el Comité de Análisis de Niños y Adolescentes y el Inter-Committee on Child Abuse y llevan adelante investigaciones y proyectos de acción comunitaria que buscan mitigar el dolor y la vivencia de desarraigo traumático producido por políticas que llevan a niveles no humanos a millones de personas.

Los pioneros del psicoanálisis como Sigmund Freud, Anna Freud, Melanie Klein, Donald Winnicott, Serge Lebovici y muchos otros que siguiendo el camino de los maestros, han buscado comprender el delicado balance del desarrollo psico emocional de los niños y la manera en que las situaciones traumáticas interfieren en el mismo.

Desde esta base, repudiamos cualquier forma de violencia contra niños y adolescentes que altere los parámetros cruciales de crianza en todo el planeta. Incluimos en ello las separaciones forzadas o precoces de la familia, la falta de cuidados básicos y de respeto por los derechos de niños y adolescentes. Como profesionales de la Salud Mental es nuestra obligación proteger a los niños y jóvenes y defenderlos de cualquier tipo de violencia y amenaza a su desarrollo.

Virginia Ungar, Presidente de API

Sergio Nick, Vicepresidente de API

 

 

 

Nova coordenação de comunicação e editoria do blog da SBPSP

A partir desse mês, assumem a coordenação de comunicação e editoria do blog da SBPSP os psicanalistas Rodrigo Lage e Tiago Porto. Nesse último ano, estiveram à frente da função Telma Weiss e Karin Szapiro, que conduziram um intenso e desafiador trabalho de produção, sempre atentas aos acontecimentos cotidianos, prontas para mobilizar os membros da SBPSP para difundir o pensamento psicanalítico e associá-lo a assuntos do dia a dia das pessoas. O legado é evidente. Rodrigo e Tiago seguirão com esse propósito, trazendo algumas novas ideias e propostas e valendo-se do aprendizado. Acompanhem as novidades. Seguimos atentos a sugestões.

Como escolher uma profissão?

Maria Stella Sampaio Leite*

Ao longo da experiência de 30 anos com orientação profissional ou orientação vocacional, como é mais conhecida essa prática, escuto  inquietações de jovens e seus familiares sobre a escolha de uma profissão. Como fazer uma escolha profissional aos 17 anos para o resto da vida é uma questão muito frequente. O problema é que não se trata de uma escolha para o resto da vida. Trata-se da primeira escolha.

Nessa idade, o jovem realiza somente sua primeira escolha profissional, aquela que deve ser interessante a ponto de motivá-lo a conduzir os estudos com dedicação até sua conclusão. Isso porque, ao término dessa formação, em posse do seu diploma de graduação,  ele terá um leque de possibilidades de trabalho diante de si e aí, novas escolhas irão se impor.

As profissões hoje em dia têm fronteiras muito tênues e tangenciam várias outras áreas. Por exemplo, todas as áreas do conhecimento rapidamente farão uso dos avanços tecnológicos.

A escolha por uma profissão é temporária, a realidade muda e nós mudamos. Apesar disso, temos um fio condutor, ninguém acorda de um dia para o outro uma pessoa diferente. Há sempre uma continuidade, mesmo que às vezes esse intercurso dê muitas voltas.

Mas como fazer essa primeira escolha? Todos temos muitos interesses e aspectos. O importante é enumerá-los, estabelecendo prioridades. Na primeira escolha, ao término do Ensino Médio, escolhe-se aquela profissão que reúne o maior número de interesses, habilidades e oportunidades. Uma parte das opções ficará de lado, no aguardo de um segundo momento, quando entrará na composição da carreira profissional da pessoa. Ao longo da vida, parte dessas profissões que ficaram na gaveta, ou aspectos delas, entram na formação da identidade profissional da pessoa. Identidade profissional é aquele exercício profissional que nos cai sob medida,  algo que faz todo sentido. Dificilmente isso ocorre no início de uma faculdade ou no começo de um percurso profissional. A gente se dá conta de ter construído uma carreira quando olha para trás, após um tempo, como em uma visada no espelho retrovisor, e constata que juntou vários aspectos que tinham sido deixados de lado na época da primeira escolha.

O futuro é muito angustiante para todos nós, sobretudo para um jovem ainda com pouca experiência de vida. Todos queremos soluções que deem conta da angústia com relação ao futuro. Um dia desses um pai perguntou-me se diante de tantas reformulações das profissões “Como prever quais profissões estarão em alta daqui 20 anos?” “Não seria o caso de buscar formações muito mais funcionais ou aplicáveis, uma faculdade que fornecesse ferramentas para o jovem equipar-se para o futuro em constante mudança?” Não é bem assim que se forma um equipamento sólido e resistente a intempéries. Uma formação universitária tem que ajudar o jovem a pensar, analisar e ser crítico e, para isso, precisa ser desafiado em diferentes campos das humanidades, das ciências além das atualidades.

Um moço cursando engenharia, insatisfeito com a graduação escolhida, me fez a seguinte pergunta: “Você tem um truque, uma chave que, aplicada, resolva meu dilema sobre o que cursar em substituição à engenharia? Eu aprendo rápido o funcionamento das coisas é somente saber o truque”, diz ele. Ora, não há uma chave, nem mesmo testes que se consigam medir atributos das pessoas relacionando-os a diferentes profissões. A reflexão e análise são indispensáveis, porém, não dão respostas certeiras sem risco, preto no branco.

O fato de haver muitas alternativas de profissão na atualidade não é impedimento para escolher. Se observarmos com cuidado, parte dessas alternativas são desdobramento de profissões mais antigas, das profissões com maior história. Outras, têm currículos muito semelhantes umas das outras. Algumas delas são apelos mercadológicos. Contudo, principalmente em se tratando de áreas ligadas aos avanços tecnológicos, foram criados cursos novos com esse foco especifico. Há profissões mais práticas cuja formação se dá por cursos tecnológicos (aqueles cujos cursos têm de 2 a 3 anos de duração), indicadas aos jovens avessos ao estudo formal. Todavia, não há profissões blindadas contra crises. Um profissional muito identificado com sua escolha terá maiores chances de se manter atualizado. Com isso, encontrará frestas nas quais poderá atuar superando as dificuldades que a realidade da sua profissão for impondo.

 

Uma pessoa que goste do que faz tem maiores chances de ser bom no que faz, não digo ser o melhor no que faz porque isso é uma ilusão. Não há como ser o melhor no que faz, mas, sim, talvez ser sempre melhor na comparação consigo mesmo. Quando a ideia é ser o melhor, devemos nos perguntar sobre os critérios dessa classificação. Uma preocupação tão grande com resultados costuma desprezar o processo, o desenvolvimento.

O que esperar de uma profissão? Satisfação, felicidade, prazer, dinheiro, fazer a diferença na sociedade, o respeito dos familiares e amigos e conhecimento. Esses e outros retornos e outros, nos movem no exercício de uma profissão. Esses atributos podem ser conquistados independentemente da profissão escolhida porque cada um deles se relaciona às características da pessoa. Vejam por exemplo o dinheiro. Não há profissão que dê dinheiro, mas profissional que sabe ganhar dinheiro. São frequentes as idealizações e os preconceitos com respeito a profissões: as mais ou menos rentáveis, as mais ou menos respeitadas pela sociedade, mais ou menos criativas, mais ou menos práticas. Mas toda profissão tem sua importância para a sociedade.

Por tudo isso, escolher uma profissão não é uma tarefa simples e pode envolver sofrimento. Quando há incerteza quanto à melhor carreira a seguir, convém buscar ajuda de um profissional especializado em orientação vocacional/profissional.

Maria Stella Sampaio Leite é psicanalista pela SBPSP, orientadora profissional e autora do livro “Orientação Profissional”, Ed.Pearson, 2015.

Protect me from what I want

*Helena Cunha Di Ciero Mourão

Somos feitos de som e fúria, já dizia Sheakespeare. O velho Freud adicionaria que, entre fezes e sangue, nascemos. A verdade é que não somos assim tão puros e limpos como postamos por aí. Embora os filtros virtuais tentem a todo custo disfarçar nossas impurezas, existem desejos inconfessáveis inclusive para nós mesmos: provocam vergonha, são menos civilizados, trazem afetos menos aceitos, mais brutos,  geram culpa, medo e inveja. Embora o desejo nos mova, nem sempre pode ser comunicado às claras.

Muitas vezes é preciso reprimir certos sentimentos para manter determinadas escolhas. Por outro lado, quanto maior essa repressão, maior a força na tentativa de realizá-los. É que nossos instintos costumam ser  persistentes e teimosos. E, nessa tentativa de domínio, o indivíduo sofre. Conclusão: essa luta constante gera uma tensão muito forte – de um lado, uma exigência de satisfação, de outro, as leis, a moral, minhas escolhas.

O desejo nasce num lugar poderoso, uma  instância psíquica inconsciente que recebe o  nome de Id. Este vive em pé de guerra com um outro lado responsável pela censura – que recebe o nome de Superego – , que é igualmente forte e é responsável por representar internamente a moral, as leis vigentes e os valores familiares.

A civilização funciona como uma tentativa de dominar nossos desejos, de freá-los. Sejam os sexuais ou os agressivos, a  sociedade de alguma forma tenta manter uma certa ordem a fim de que a humanidade se preserve de seus próprios instintos. Sabemos que a violência do homem é inerente, tornando-o facilmente presa. Convenhamos, por mais falha que seja a sociedade, o ser humano precisa dela para relativamente se organizar .

Mas existe um lugar onde meu desejo encontra uma possibilidade de existir: os sonhos. Quando sonhamos, estamos com a censura baixa, certas coisas podem aparecer. Mesmo assim algumas são censuradas por nós mesmos – juntando uma série de elementos que criam uma espécie de quebra-cabeça simbólico, somando vivências e experiências singulares e individuais, que para cada um tem um significado. Ou seja, certas coisas aparecem de forma disfarçada quando dormimos.

Por isso, dicionário de sonhos  não deve ser levado muito a sério. Para cada pessoa, um símbolo que aparece num sonho tem um significado específico, que só pode ser  decifrado pelo próprio sujeito sonhador. O sonho é o território da realização do desejo. Mesmo que apareça de maneira torta, ele conta sobre um sentimento que, acordado, pode ser muito ameaçador.

É  como se, dormindo, nosso desejo acordasse no sonho e se apresentasse de uma forma mascarada.  Isto é, a fantasia é um dos veículos onde o desejo pode se apresentar, sem ter que brigar com nosso lado responsável pela censura. Tudo pode acontecer. E o ato de sonhar, fantasiar, nos possibilita uma tolerância maior à realidade.

Qualquer veículo onde o sonho possa emergir dá voz ao desejo. Arte, literatura, música… Não é raro sabermos de pessoas que suportaram uma condição muito difícil  utilizando-se da imaginação. Anne Frank é um exemplo.  O filme “A vida é bela”, outro.

Precisamos do sonho para dar voz ao nosso desejo e, assim, resgatar a força de lutar para viver.  É como se nos alimentássemos do território do sonho,  o desejo que ali pode aparecer  fica com sua força atenuada e nos ajuda a suportar a realidade com suas chatices.

Por isso sempre me incomodei quando escutei a frase “Isso é apenas uma ilusão”. A palavra apenas desqualifica o lugar onde o sujeito é livre, puro e existe em seu estado bruto.

Em algum lugar é preciso soltar todo nosso som e toda nossa fúria, do contrário a vida vira uma canção  monotemática e empobrecida.

 *Helena Cunha Di Ciero Mourão é  membro filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e especialista em psicologia psicanalítica pela Universidade de São Paulo | hcdiciero@gmail.com

Paternidade e função paterna

Ricardo T Trinca*

Toda criança ao nascer é órfã. Ter um pai e uma mãe são conquistas e aquisições posteriores, mas que podem não ocorrer. É necessário que o bebê se torne filho de alguém, ou seja, que uma mente possa se dedicar à tarefa de recebê-lo no mundo. Mas, se por um lado o bebê é um órfão, por outro ele nasce com preconcepções do encontro com um seio (Bion, 1962/1991) para o qual se dirigirá, e sobre sua recepção, ou melhor, sobre a presença de alguém a partir do qual poderá haver alguma ancoragem e encontro. Mas a preconcepção pode ser frustrada, dependendo das circunstâncias deste momento inicial, criando dificuldades significativas para os próximos passos do bebê.

Os pais recebem esse bebê, um ilustre desconhecido, que vai – aos poucos – se tornando familiar. A familiaridade é um processo complexo associado com a possibilidade tanto do bebê ser sonhado, quanto do estabelecimento de ritmos orgânicos da sua vida, com improvisações e melodias análogas às de uma banda de jazz. A amamentação, a troca de fraldas, o sono e o mimo são estabelecidos em um ritmo peculiar, relacionado tanto com as características inatas daquele bebê, quanto ao modo como ele é sonhado pelos pais. Ser sonhado significa participar da vida mental do outro; em última instância, existir.

Nesse momento inicial da vida, a função materna é a mais importante: ela é a função psíquica relacionada com a recepção da orfandade de um bebê que é pressentido como absolutamente dependente e que necessita de acolhimento, cuidados e continência. Mas, desde esse momento inicial da vida, a função paterna e a função materna estão interligadas e se tornam complementares. São funções mentais e não estão relacionadas diretamente com um ou outro gênero sexual, que desempenhe uma ou outra função necessariamente. Uma mãe tem função paterna, assim como um pai tem sua função materna e vice versa. Ser pai, portanto, é poder flutuar em um espectro de possibilidades formado entre essas duas funções. Não é mais novidade um homem ser predominantemente materno, ou um casal homoparental desempenhar, cada um, funções distintas ou ambas as funções. Também uma avó ou um avô pode desempenhar relativamente bem a função paterna ou a função materna. Culturalmente elas tendem a ser associadas ao pai e à mãe.

A função paterna nesse início da vida do bebê relaciona-se com dar condições de segurança, apoio e estabilidade para que aquele que desempenha a função materna possa fazê-lo integralmente. O bebê, neste momento, é o reflexo do desejo dos seus pais, desejo desconhecido, mas que aparentemente se tornou encarnado e vivo; é um ser-para-si (ser para a mãe), carecendo ainda de um mundo pessoal. Ele é o investimento narcísico daqueles que cuidam do bebê, e o reflexo deste investimento libidinal e imaginário. Bebês lindos e mães extenuadas e descuidadas são, muitas vezes, a cara e a coroa de uma mesma moeda. O bebê e a mãe, nesse sentido, são indistinguíveis. Não existe alguma coisa como um bebê independente, destituído de uma função materna que o acompanhe.

Mas, ao longo do crescimento do bebê, a função paterna passa a ser não mais periférica, assumindo um posto de maior centralidade na vida da mãe (ou daquele que representa a função materna) e, também, da criança. O cuidador do bebê precisa se haver com os desenvolvimentos motores e, portanto, com uma maior preocupação com o mundo, já que o bebê passa a adquirir paulatinamente maior autonomia. Mas ainda não é, de fato, uma verdadeira autonomia; assim o “não” surge como a primeira expressão nítida e fundamental da função paterna dirigida diretamente para o bebê. Ela tem a função de limitar os seus avanços no mundo que são feitos naturalmente, mas de modo pouco cuidadoso. Portanto, a função paterna tem como objetivo apresentar o mundo para a criança pequena, mas um mundo que se torne seguro para ela.

O “não” inicial limita certos avanços perigosos da criança (Winnicott, 1993/1999), mas é preciso levar em conta que um “sim” da relação desta criança com o mundo já foi, portanto, formado na mente desses pais. O “não” verdadeiro denota a formulação de um “sim” anterior. Esse “sim” é o desejo de que essa criança possa ter um mundo. O “não” passa a ser expressão do desejo de que a criança constitua um mundo, que vá além da relação com a função materna; um mundo relativamente seguro. Essa separação para com a “mãe” ou ampliação do universo da criança pequena é realizado pela função paterna, um verdadeiro ser-para-o-mundo. A função paterna é a função que separa mãe e bebê para poder dar as bases da simbolização, pelo início das relações triangulares, ou a base do pensamento simbólico. A função paterna, desse modo, separa a mãe da criança para incluí-la num mundo mais amplo, o mundo do universo simbólico e da castração. A função paterna, portanto, separa para incluir. E a função paterna melhor consegue fazer isso, quanto mais valorizada é a cultura e a alteridade na mente da mãe; ou o quanto a função paterna está interligada à função materna na sua vida mental.

A presença da função paterna e materna se mantém ao longo da vida dos pais, mudando de intensidade e de importância de acordo com as circunstâncias da vida do filho. Mas também são funções que se transmitem, de modo que um jovem adulto pode ter o seu próprio filho e valer-se das funções materna e paterna prontas para serem desempenhadas com uma nova criança, quando elas puderam ser incorporadas como parte da sua personalidade. Quando isso acontece, o filho pode prescindir dos seus pais.

A autonomia, portanto, é a finalidade da realização satisfatória da função paterna e materna na vida mental do filho. Os filhos, desse ponto de vista, podem ir adiante, fazendo com que os pais se tornem menos importantes. Deixar ser suplantado, tornado desimportante e poder orgulhar-se da autonomia do filho e da possibilidade de ser desimportante é o último bastião da função paterna. Trata-se de confiar que aquilo que foi transmitido poderá ser retransmitido nas futuras gerações; decididamente a função paterna é uma função associada com o mundo da cultura.

Um filho é tanto algo profundamente pessoal quanto um ser que se transforma em algo da cultura e do mundo. É um modo de presentear a cultura com nosso amor, deixando o filho ser no mundo aquilo que ele está, por alguma razão, destinado a ser além de nós.

 

Referências

Bion, W. R. (1991). O Aprender com a Experiência. Rio de Janeiro: Imago (Trabalho Original publicado em 1962).

Winnicott, D. W. (1999) Dizer “não”. In D. W. Winnicott, conversando com os pais (2 ed) São Paulo (SP): Martins Fontes (Trabalho Original publicado em 1993).

*Ricardo T Trinca é psicanalista, doutor em psicologia clínica pela USP, membro filiado ao instituto “Durval Marcondes” da SBPSP e autor do livro “A Visitação do Real nos Fatos Clínicos Psicanalíticos” (Edusp). E-mail: ricardotrinca@hotmail.com

 

CRACOLÂNDIA – DIVERSÃO OU REFÚGIO?

A discussão em torno do tema cracolândia tem ganhado visibilidade nos últimos dias por conta das ações realizadas pela Prefeitura de São Paulo no local, notoriamente conhecido por reunir usuários e traficantes que consomem e vendem drogas a céu aberto. Com o tema em voga, acabam vindo à tona histórias diversas de pessoas que vivem no local e, muitas vezes, fogem do estereótipo do craqueiro . Mas o que leva alguém a chegar ao ponto de se abrigar em um ambiente como o da cracolândia? Diversão? Prazer?

Confira abaixo o artigo da psicanalista Maria de Lurdes Zemel sobre o tema:

A CRACOLÂNDIA SERIA UM LUGAR DE DIVERSÃO OU UM REFÚGIO?

Ao fazer a divisão da palavra crack-lândia podemos associá-la à Disney-lândia – o que leva a pensar sobre o uso de droga estar associado somente ao prazer. Decorre daí a certeza que esse é um lugar que abriga pessoas que vivem só do prazer. Pessoas irresponsáveis, que não querem trabalhar, não respeitam leis, não sabem viver em grupos sociais, etc.

Sim, todos buscamos a droga para obter prazer e é isso que ela nos oferece. Sabemos isso usando adequadamente qualquer droga. A questão passa a se complicar quando a relação com a droga se inverte, isto é: quando ela dirige a relação, como se fosse um tirano a nos dominar. Isso é assim também com o crack.

O crack é a cocaína inalada. Tem um efeito rápido, vai direto à corrente sanguínea por inalação. Seu efeito também passa rápido. Rapidamente causa tolerância, síndrome de abstinência e dependência.

O usuário de crack de terno e gravata, aquele que vem ao nosso consultório, usa crack eventualmente e não frequenta a “cracolândia”. Ele é uma pessoa diferente do “craqueiro” que está lá na “cracolândia” em andrajos ou escondido por um cobertor. No entanto, ambos são seres humanos e merecem respeito e compreensão.

O frequentador da “cracolândia” está submetido à lei social do tráfico, lei rígida e que demanda obediência servil. O tráfico tem palavra: é cumprir ou morrer. É possível que ele obedeça a esse tipo de lei por não ter tido interdição paterna, por ter se perdido dentro da família e por estar num grupo social sem lei, onde nada do que é dito é cumprido.

O frequentador da “cracolândia” tem urgência – fuma uma pedra atrás da outra. Procura na latinha uma pouco de calor na boca, mesmo que a queime. Beija a boca de qualquer um ou aceita qualquer sexo somente para sentir um corpo junto ao dele, um corpo sem nojo, igual ao dele. Envolve-se num cobertor para sentir um limite na própria pele, para se sentir único no meio da multidão de semelhantes. Cada um tem seu cobertor. O cobertor é sagrado; assim como nosso corpo é sagrado para nós e nossa mente é única.

O cobertor esconde muitas histórias. Muitas misérias e muitas dores não poderiam ser suportadas sem a presença dele. Abortos, estupros, surras, mortes, abandonos, violências de toda qualidade. Estamos do lado de fora do cobertor, não sabemos dos sofrimentos daqueles que ali se escondem.

Um bebê substitui a ausência de sua mãe por um “paninho”. Um “craqueiro” precisa de um cobertor para suportar a ausência de vida que existe em sua própria vida. A morte se faz constantemente presente; a morte é fria.

O cobertor nos protege de ver tanta tristeza. Talvez fosse insuportável para nós enxergar o que o cobertor encobre. Talvez seja insuportável para o craqueiro também.

O craqueiro precisa da “cracolândia” para se refugiar e se proteger de nós, que temos medo da precariedade psíquica escancarada por ele.

*Maria de Lurdes de S. Zemel é coordenadora do Grupo de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas do Setor de Parcerias e Convênios da Diretoria de Atendimento a Comunidade da SBPSP

*Revisão de Luciana Saddi – membro da SBPSP

FEELING BLUE – A TRISTEZA DE NOSSOS ADOLESCENTES

*Por Sylvia Pupo

A febre dos jogos e séries ligados à temática da morte parece ter dado voz ao apagamento gradual e silencioso do adolescente na nossa sociedade.

O jogo da Baleia Azul e a série 13 Reasons Why, exaustivamente abordados na mídia nas últimas semanas, geraram perplexidade e pânico a respeito de uma possível epidemia de futuros suicídios e uma controvérsia a respeito de ser ou não recomendada sua exibição ao seu público alvo. Havia o receio da indução a mais suicídios, já que a forma romantizada e detalhada com que o tema é abordado são fatores largamente desaconselhados pela Organização Mundial de Saúde. Tentativas prévias são consideradas um fator de risco importante na indução de mais suicídios.

Tanto o jogo quanto a série expõem a angústia e a desesperança dos adolescentes e os destinos possíveis, embora nem sempre desejáveis, para a sua dor. O suicídio é um deles. Retratam com crueza a violência da via-crucis percorrida pelos jovens – como as etapas do jogo – na sua transicionalidade e na busca de lugar no grupo social. Esta é uma violência que às vezes não notamos ou então subestimamos.

Já fomos adolescentes e sobrevivemos – alguns melhor do que outros, é bem verdade – às angústias e maldades, ao desprezo dos amores e à incompreensão dos pais, às incertezas e dúvidas. Até ocorreu a alguns tirar a própria vida em momentos de desespero, mas não o fizeram. O pensamento parece ter dado conta das angústias.

Dados alarmantes da OMS apontam o suicídio como a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. O que será que mudou?

Os motivos pelos quais pessoas tiram suas vidas são variados e individuais, mas supomos que a desesperança e a dor sejam denominadores comuns. Esses suicídios nos dizem que algo vai mal, que está difícil viver. Que não se tem mais esperança e se está muito só. São sintomas do social?

O que não estaríamos podendo escutar? O que as palavras não estão alcançando no uso do corpo nessa falta de nomeação? Nos perguntamos: onde é que falhamos?

Seja um ato impulsivo ou planejado, de vingança ou desespero, no suicídio há uma mensagem – ainda que enigmática – para quem fica. O que nos comunica essa onda de suicídios, sobre a relação dos jovens com a sociedade? Seria a cultura contemporânea que está destruindo os jovens ou seria o modo que interagimos com ela?

É fato que o psiquismo se apoia em traços da realidade, mas não será, necessariamente, uma reprodução dela. A cultura oferece veículos para a expressão da violência interna de cada um e o jogo é mais um deles.

Podemos ter mais de 13 razões e, mesmo assim, conseguirmos encontrar outras vias para processar nossa dor e dar a ela um destino. Aperta-se o botão delete para que o desconforto desapareça? Novas drogas nos deixam em êxtase permanente. Perdemos a capacidade de tolerar o mal-estar – necessário e estruturante do sujeito – inerente ao processo civilizatório, observado por Freud?

Ninguém pode mais esperar, tudo é para já. Há uma pressão contínua para que se “evolua” (o que será isso?) em uma escalada ascendente, mas não há tempo para aprofundar. Não se tem mais tempo a “perder”. Vemos um grande incômodo quando é necessário desacelerar,  “voltar duas casas no jogo da vida” que se torna, ela mesma, uma série de tarefas a serem cumpridas, em vez de uma experiência a ser vivida.

Não é o caso de procurarmos culpados, mas de pensarmos se estamos conseguindo ajudar os jovens a criarem recursos para lidar com as dificuldades da vida, mas, principalmente, com os próprios afetos.

Estaríamos reproduzindo certos valores e ideais que nos dificultam “re-conhecer” nossos filhos?  Seria bom se pudéssemos acreditar que ser feliz é muito mais do que atingirmos os padrões valorizados socialmente. Que é importante construirmos algo que exceda a nossa sobrevivência – algo para além dela, que nos dê prazer e possa ser um veículo para os nossos sonhos. Questionar o sentido de passarmos a mensagem a um adolescente que ele tem que trabalhar muito agora para ter mais trabalho no futuro e que isso é o que vai fazê-lo feliz.  Considerar que é bom buscarmos satisfação nas nossas escolhas e não apenas reconhecimento. Ensinar que podemos ter felicidade apesar de tantas faltas e limitações. Talvez isso soe mais possível.

O submetimento, também suicida, à tirania de ideais, mostra que essa necessidade de reconhecimento encobre, na verdade, uma carência de auto-reconhecimento.  As patologias contemporâneas têm aí suas raízes. Depressão, baixa auto-estima, as chamadas “patologias do vazio”, que se expressam na forma de distúrbios alimentares, compulsões, adicções, intervenções estéticas em excesso, refletem a insatisfação crônica do sujeito consigo mesmo. Ser feliz tornou-se um valor quase masoquista: ser o que não se é, ter o que não se tem… Não se tolera a falta, a incompletude, a imperfeição. Não se tolera mais o humano.

Esse assassinato das individualidades atinge, sobretudo, os adolescentes, que estão em pleno processo de consolidação pessoal. Qual é o preço de pertencer?

Como conseguir tolerar os vazios sem preenchê-los com drogas, comida, consumo, sexo? Essa parece ser uma das tarefas da atualidade – darmos conta das incertezas e dos vazios de maneira não destrutiva.

Infelizmente não podemos prever com certeza quais jovens vão aderir aos jogos mortais ou cometer suicídio. O que sabemos é que pessoas com uma auto- estima mais satisfatória e uma identidade estável e estruturada terão maior capacidade de julgamento, de tolerar a frustração, de acomodar conflitos e pensar. Esse vai ser um recurso importante  nos funcionamentos impulsivos, por exemplo, a capacidade de adiar a ação.

Nossa tarefa então, não será poupar os adolescentes das problemáticas e frustrações. Ao contrário, temos que ajudá-los a desenvolver recursos para que sustentem as idiossincrasias e possam pensar sobre elas.

Neste sentido, a Psicánalise tem muito a contribuir, já que a violência e a maldade vão continuar a existir em toda parte.

*Sylvia Pupo é psicanalista e membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo

Morte e vida: tensões

Silvana Rea

 

Há quase cem anos terminava a Primeira Grande Guerra moderna. Mas alguns pensadores afirmam que ela ainda não acabou, já que permanecemos marcados por um espírito belicoso até os dias de hoje. De fato, podemos observar na história que  seguem-se à primeira, a Segunda Guerra, Coreia, Vietnam, Líbano, Bálcãs e terrorismo, entre outros eventos violentos.

As guerras são fruto das paixões destrutivas do homem. Em sua reflexão de 1932, “Porque a guerra?” – tecida em interlocução com Einstein – Freud afirma que são infrutíferas as tentativas de eliminar essas inclinações humanas, como o ódio contra qualquer pessoa além de suas fronteiras. O que se pode fazer é tentar investir em vínculos emocionais amorosos que utilizem a identificação, introduzindo assim as modificações psíquicas que acompanham o processo civilizatório, com o desvio e o deslocamento dos fins instintuais, para a sua limitação.

Mas qual seria o limite possível para as forças destruidoras? Novamente recorremos a Freud (1920) quando nos apresenta a noção de compulsão à repetição, ou seja, a presença da pulsão de morte no psiquismo humano?

Esses são alguns dos desafios que qualquer psicanalista enfrenta em sua compreensão dos fenômenos mundiais e em sua atividade clínica. Em nossos consultórios, também vivemos cotidianamente o embate entre os impulsos destrutivos e a pulsão de vida. Como podemos pensar a tensão entre estas duas forças a partir dos fenômenos psíquicos configurados na contemporaneidade?

Estas são algumas questões que gostaríamos de discutir no evento “Morte e Vida: Tensões”, no sábado, dia 10 de junho, às 9:30, na sede da SBPSP.

Este evento é preparatório para o XXVI Congresso Brasileiro de Psicanálise a ser realizado em Fortaleza, em Novembro de 2017.

 

La muerte es una vida vivida. La vida es una muerte que viene.

Jorge Luis Borges

 

“Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.”

Mario Quintana

 

 

Silvana Rea é psicanalista e Diretora Científica da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo

Como é ser mãe de uma criança pequena

Falar em criança pequena é falar de um ser humano em continuo processo de desenvolvimento e transformação. Sabemos o quão fundamental é o princípio da vida e a relação de dependência do bebê com a mãe e com o ambiente. A criança passa por vários estágios que levam ao seu crescimento e integração, e necessita que os pais acompanhem e ofereçam segurança, confiança e que possam atender suas necessidades para que ela possa caminhar e alcançar sua autonomia. Viver a vida de forma que suas capacidades e potencialidades se realizem é o que faz sentido a ela. Só assim se realizarão como pessoa.

Ser mãe, na maioria das vezes, é sentir-se encantada com o ser que gestou. Esse encantamento faz com que o bebê sinta que tem um valor e importância para alguém. Mas não é só isto.

Ser mãe é se dispor a vivenciar, junto com seu filho, emoções, sentimentos, angústias, medos, sonhos, desejos e vivências corporais intensas.  Sua vida, a partir da gestação, se modifica radicalmente. A mãe grávida tem um relacionamento com seu bebê, sente seus movimentos, sente amor (ou não) embora tenha seus desconfortos e ansiedades. Seus sonhos em relação a este ser que está sendo gestado, a impulsiona e seu desejo (ou não) de ter este bebê o marcará de forma significativa.

A mãe vive um processo de profundas emoções que acordam vivências primordiais de sua própria história de vida. Suas fantasias, suas dificuldades e realizações estão continuamente presentes. Ter um filho pequeno, adolescente ou adulto requer que a mãe (incluindo o pai) se reveja a todo instante em sua vida emocional. As crianças vão denunciando, não propositadamente, as falhas, fragilidades, limites e capacidades, o que pode enriquecer o conhecimento de si mesmo e do outro. Pode ser tranquilizador e surpreendente para uma mãe ver que sua criança é capaz de enfrentar situações que para ela foram difíceis. Assim, vai se diferenciando dela e conhecendo esta nova personalidade se formando.

Ser mãe não é ser técnica de cuidados, é estar viva, envolvida, presente e se dispor como pessoa que enxerga, ouve e se interessa por seu filho em suas particularidades.

Ter um filho é se dispor a uma carga de trabalho intensa já que o bebê depende completamente dos cuidados dela. Assim que nasce a relação entre os dois é de tal intensidade que a m           ãe se oferece devotadamente ao seu bebê. Inicialmente é como se fossem um só, a mãe oferece seu corpo, sustenta  e apresenta o mundo a ele. Sua intuição e capacidade de identificação com a criança favorecerá sua compreensão e conhecimento deste pequeno ser. A mãe sente que sua presença é fundamental e que é ela quem vai dando significados ao que este experimenta. O bebê, inicialmente, não sabe que depende dela. Para ele, a mãe é criação dele e aos poucos vai percebendo que ela é uma pessoa separada dele. Ocupar este lugar de não ser reconhecida como pessoa separada requer uma capacidade amorosa, o que não quer dizer que não possa sentir ambivalência de sentimentos pela exaustão que experimenta.

Sim, amor e ódio fazem parte desta relação e esses conflitos fazem parte da vida de relação. A criança também precisa desenvolver sua capacidade de odiar e isso é importante para sua vida, é esse sentimento que cria a alteridade, a capacidade de perceber o outro como outro. O sentimento de ódio poderá ser negado e atuado de forma impulsiva, o que não será saudável para a criança. Esses conflitos são inerentes à vida e cabe a mãe elaborá-los. Se há confiança nos sentimentos de amor, se a mãe não tiver dificuldades narcísicas ou alguma perturbação psíquica, não se assustará com o fato destes sentimentos existirem. Assim como receber os ataques da criança, também é importante para que sua agressividade não seja inibida, perdendo assim a vitalidade.

Ser mãe de um bebê é diferente de ser mãe de uma criança que começa a andar, que vai ganhando autonomia e que vai se separando dela. No início, a dependência é quase total, mas a criança anseia por crescer, e a mãe também vai aprendendo a viver separada do seu filho. As separações vão fazendo parte da vida, mas a criança precisa de segurança e confiança para ser ela mesma. A mãe percebe e sente essas mudanças e oferece objetos, brinquedos já que a criança precisa de objetos intermediários para elaborar suas vivências, através do brincar e de sua criatividade. A atividade do brincar dá à criança uma condição de elaborar seus conflitos e, com isso, evoluir e ter suas vivências, expandindo sua imaginação.

A cada estágio surgem novas surpresas. Sabemos que a criança está desenvolvendo sua identidade e que poderá ser muito diferente do que seus pais sonharam para ela. Estes precisarão se conhecer e lidar com suas frustrações. Ser mãe é oferecer um ambiente razoavelmente estável, considerar o tempo de seu filho, que é algo fundamental para que ele possa se desenvolver e fazer uso de fantasias, sonhos e tolerar a realidade externa.

Quando falamos de mãe, não estamos excluindo o pai ou substituto, que é quem está presente, junto com a mãe nessa caminhada. Inicialmente não reconhecido como um terceiro, aos poucos vai sendo requisitado pela criança para que possa lidar com a triangularidade edipiana que é um momento de muitas elaborações identitárias e que lhe darão lugar para ser quem é. As questões sexuais se manifestam, a saúde e maturação requerem que mãe e pai estejam disponíveis para auxiliar seu filho nesta caminhada. Para isso, serão mobilizados nas próprias questões sexuais pessoais.

No consultório temos oportunidade de observar algumas dificuldades e patologias graves de crianças onde detecta-se falhas no atendimento dos pais ou da família às necessidades da criança. Vemos paradas no desenvolvimento da criança que vem buscar auxílio terapêutico onde a família apresenta desestruturações que muitas vezes não são sequer percebidas.

*Marlene Rozenberg é membro efetivo e analista didata da SBPSP

DEPRESSÃO

Com sintomas de depressão e tristeza, muitos adolescentes tem sido vítimas do “jogo” Baleia Azul, cujo fim culmina com o suicídio do participante. Depressão não é facilmente detectável, principalmente em crianças e adolescentes e, por essa razão, é preciso se informar a respeito e procurar ajuda quando necessário. A psicanalista Maria Thereza Barros França discute o tema no artigo “Depressão“, publicado originalmente no blog da SBPSP em 2014 e hoje mais atual do que nunca.

Blog de Psicanálise

Vincent van Gogh - Old Man in Sorrow Vincent van Gogh – Old Man in Sorrow

Para a Psiquiatria, a depressão é uma alteração do humor caracterizada por tristeza profunda, acompanhada de apatia, desânimo, inapetência, desinteresse sexual e pela higiene, insônia e um sentimento de falta de sentido na vida. Esses sintomas podem ou não se alternar com seus contrários: humor exaltado, denominado “mania”, ou em grau mais leve,hipomania. Se por um lado os sintomas depressivos nos fazem sentir pesados e pesando aos que convivem conosco, os de mania nos fazem sentir ótimos, não necessitando de nenhum tipo de ajuda, o que, entretanto já não se dá com os familiares, que podem perceber certas inadequações, falta de limites, gastos exagerados e assim por diante.

Esses quadros nos levam a perguntar: se eu tenho esses sintomas, sou doente? Estou doente? O que se passa comigo?

A Psicanálise traz sua contribuição no sentido de pensar estas questões.

Embora não seja…

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