Agenda

I Encontro sobre escrita – DC

8 e 9 de junho de 2018

Nos dias 8 e 9 de junho de 2018, a Diretoria de Científica da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo promove o I Encontro sobre Escrita. Para inaugurar as comunicações que serão publicadas neste espaço até a data do evento, selecionamos um belo texto de Sonia Azambuja, publicado na revista Ide em 2010. Nele reconhecemos a parceria que a Psicanálise faz com a Literatura para expressar seu próprio pensamento.

 

Sobre cartas: uma garrafa lançada ao mar

Sonia Curvo de Azambuja

 

Em A interpretação dos sonhos (190011972), Freud, citando a Eneida de Virgílio, coloca: “Se não posso dobrar os poderes supremos, moverei o Aqueronte das regiões infernais”

Vemos aí como, na sua base, a psicanálise faz emergir aquilo que sempre foi considerado para a história da consciência uma categoria negativa.

Nesta comoção dos deuses demoníacos, com seu sonho da “Injeção de Irma”, sonho tido por ele como paradigmático, o que seria a excelência do sonhar, dos pensamentos oníricos, que nos levariam ao insondável, ao umbigo, por assim dizer, que é o seu ponto de contato com o desconhecido. Aí pulsa o que move o sonhar: o desejo inconsciente.

Nesse sonho há algo que paira, que é o escrito em negrito: a fórmula química da trimetilamina, que é uma referência à sexualidade como básica nas pulsões que nos habitam. Contudo, esta fórmula química é também uma inscrição simbólica e ela se dirige a nós: seus leitores. É como se Freud lançasse uma garrafa ao mar. Quem pegar, pegou. Quem puder lê-lo, verá que seu maior desejo inconsciente nesse sonho é que possamos aceitar a lógica do inconsciente. O destinatário desse sonho inaugural de Freud é a posteridade. O que move o sujeito para o inconsciente é a sexualidade, e o que se encontra nele é o simbólico que se dirige sempre ao outro. Como diz Ferenczi: “Eu durmo para mim e sonho para você”.

Esta necessidade profunda de formação de parceria, de encontrar um receptor, é o que nos faz sonhar e também é o que nos faz criar pensamentos e produzir tudo o que produzimos. A carta talvez seja o gênero literário que mais se aproxime desse desejo.

Em uma carta que escrevi para os jovens analistas, tomei como mote Rilke (1966) em suas Cartas a um jovem poeta, livro amado por mim na juventude e que, como em um sonho, fisgou-me na minha vocação de analista: porque o analista, como o poeta, percebe que o homem é um ser passional. Como um barquinho, ele é tocado por paixões: amor, ódio, medo, ciúme, inveja, ternura, sedução. E foi na companhia do poeta que eu pude me dirigir em uma carta aos meus colegas em 2007.

Conversa Psicanálise e Semiótica

Afinada com o espírito de nosso tempo, do risco do radicalismo e da intolerância ao diferente, a diretoria científica da SBPSP propôs  como eixo geral para as suas atividades, o tema “O mesmo, o outro”.  E seguindo este tema, trabalha com a noção de porosidade.

 

Nossa ideia é a de  pensar o corpo psicanalítico como uma pele disposta às influências internas e externas. Assim, cabe pensarmos na porosidade da Psicanálise voltada para outras áreas do conhecimento.

 

O formato “Conversas” surge da ideia de apresentarmos psicanalistas que se dedicam ao estudo da interface da Psicanálise com outros campos do conhecimento em conversa com profissionais de outras áreas, que se dedicam ao mesmo campo. Esta é uma oportunidade para conhecermos como outra disciplina comparece em seu pensamento e no seu exercício clínico.

 

No sábado, dia 12 de agosto às 9 horas, no auditório da SBPSP, teremos a primeira Conversa Psicanálise e Semiótica.

 

A Semiótica é a ciência que investiga os fenômenos como produtores de significação e sentido. Os seus nomes fundamentais são os linguistas Ferdinand de Saussure (1857-1913) e Algirdas Julien Greimas (1917-1992), e o filósofo e matemático americano Charles Sanders Peirce (1839-1914). Contemporâneo de Freud, Peirce nunca o conheceu. No entanto, podemos encontrar importantes  aproximações entre as duas disciplinas.

 

O foco de Peirce está em como percebemos os fenômenos e em como significamos as nossas experiências.  Partindo do ponto de que para conhecer algo o homem  produz um signo, ele sugere três categorias de apreensão, três modalidades nas quais os pensamentos são construídos.

 

A “primeiridade” refere à apreensão primeira e imediata dos fenômenos a partir de suas qualidades sensíveis. Ela tem como signo o ícone, que mantém a semelhança com objeto representado.

 

Mas, para que um fenômeno possa existir, ele tem que estar encarnado em uma matéria. Aí está a segunda modalidade de contato, a “segundidade”, cujos signos correspondentes são os índices, que mantêm uma relação causal de contiguidade física com o que representam.  E por fim a “terceiridade”, que aproxima os outros dois em uma síntese  intelectual e tem como signo correspondente o símbolo. Este, não mais ligado diretamente ao objeto, mas às associações multissemânticas de quem o vive.

 

Portanto, neste caminho do signo ao símbolo, podemos notar a importância da Semiótica para a clínica psicanalítica. Perceber, compreender, interpretar em um movimento ininterrupto são matéria tanto para semioticistas quanto para psicanalistas. Estas são as questões que serão abordadas em nossa Conversa Psicanálise e Semiótica. Contamos com a presença do professor Ivo Ibri, da PUC-SP, que apresentará um panorama geral da Semiótica. E com os psicanalistas Paulo Duarte Guimarães Filho  da SBPSP, que abordará a presença das ideias de Peirce na literatura psicanalítica recente  e José Antônio Pavan, da SBPSP e do Núcleo de Psicanálise de Marilia e Região, que vai estabelecer relações da semiótica com a sua clínica.

 

Aguardamos vocês,

 

Silvana Rea

Diretora Científica da SBPSP

Intersubjetividade, alteridade e terceiridade: por uma teoria psicanalítica viva para lidar com desafios da nossa época

Por Talya S. Candi*

Os múltiplos desafios da clínica na atualidade exigem que o psicanalista se debruce sobre os aspectos intersubjetivos da experiência analítica. Isto implica poder criar e construir junto com o paciente um dispositivo e uma linguagem feitos sob medida para permitir o desenvolvimento de uma relação baseada na confiança e na sinceridade. A descoberta da contratransferência inaugurou uma nova visão sobre o processo analítico, que não transcorre apenas do lado do paciente, mas também do lado do analista. A.Green (1975) nos sugere pensar a situação analítica a partir de uma concepção global da contratransferência que inclui diferentes aspectos de seu funcionamento mental desenvolvidos em suas experiências pessoais de análise e formação, em seu diálogo com teorias e colegas e sobretudo no contato com seus pacientes. A subjetividade do analista, seu corpo, suas crenças, pensamentos e história de vida estão implicados no processo analítico e devem ser cuidadosamente monitorados pois podem não só estabelecer conluios inconscientes com o analista, mas também e sobretudo se constituir numa das fontes mais valiosas para a elaboração da interpretação. Os conluios devem ser vistos como “nós interativos” que podem paralisar a imaginação e o pensamento criativo do analista e imobilizar o processo analítico. A analista inglesa Betty Joseph estudou em detalhes este tipo de conluio.

Não é possível, no entanto, que haja um verdadeiro processo de análise se o analista não se dedica a processos de identificação com o paciente, concordantes ou complementares, e se não tolera também momentos de indiscriminação e fusão. Em suas respectivas conceptualizações sobre o terceiro analítico, Green(1975) e Ogden (1994) postulam a ideia de que o objeto analítico é construído por paciente e analista. Para estes autores, os momentos de intensa empatia e ligação intersubjetiva devem se alternar dialeticamente com outros de maior distância e discriminação entre paciente e analista. Este vai-e-vem entre vivências de fusão e outras de discriminação, ligação e desligamento, junção e separação, mobiliza os afetos e as representações que promovem a criação do sentido e a simbolização. O progresso da análise leva ao crescimento da capacidade reflexiva compartilhada, o que permite ao paciente (e também ao analista) uma visão mais objetiva de si mesmo. Neste delicado contexto, a atuação do analista objetiva trabalhar a partir do segundo olhar, visando sempre se apropriar dos pedaços mais estranhos de si mesmo, das alteridades, de dentro e de fora, do inconsciente e dos outros que ameaçam o mundo ideal da plenitude narcísica. Para T. Ogden, a tarefa analítica deve envolver o esforço para ajudar o paciente a se tornar humano em um sentido mais amplo do que ele conseguiu até aquele momento. Ajudar o analisando a se tornar mais plenamente humano implica facilitar as tentativas do paciente de experimentar uma gama mais ampla de pensamentos, sentimentos e sensações percebidos como próprios na sua diferença, e que ele sente terem sido gerados no contexto de suas próprias relações presentes e passadas com outros seres humanos (inclusive com o analista). Neste contexto, a interpretação analítica torna-se o instrumento para expandir os vínculos entre as experiências emocionais significativas e promover novos vínculos que ampliem a rede do sentido e o repertório do que significa se sentir vivo .

*Talya S. Candi é psicanalista, membro da SBP-SP e a coordenadora do evento “Intersubjetividade, Alteridade, Terceiridade: Que conceitos são estes e sua relevância para a Psicanálise Contemporânea”, uma série de conferências e discussões que acontecem no sábado, 12 de março, na sede SBP-SP, a partir das 9h, numa iniciativa Diretoria Científica da SBP-SP.

PSICOSSOMÁTICA PSICANALÍTICA EM DEBATE

No dia 31 de outubro, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo promoverá a 1ª Jornada de Psicossomática Psicanalítica. O encontro tem como objetivo apresentar os referenciais teórico e clínico desse campo de estudo que, além de nos oferecer novos vértices de observação, amplia a possibilidade de compreensão e do tratamento das psicopatologias contemporâneas.

O texto abaixo discute alguns dos conceitos principais dessa área de conhecimento e aborda qual a sua contribuição para uma compreensão mais ampla das patologias contemporâneas, nas quais o corpo está cada vez mais implicado.

1. Afinal, o que é a psicossomática psicanalítica?

Do ponto de vista teórico, a psicossomática psicanalítica constitui uma abordagem dos fenômenos psíquicos primitivos que podem ser observados nas psicopatologias psicanalíticas contemporâneas. Entre essas patologias, incluem-se as doenças psicossomáticas que se caracterizam por um comprometimento da constituição do narcisismo primário e do processo de simbolização. Há um déficit na transformação do corporal em psíquico, isto é, na aquisição da representação por meio da palavra. Em outras palavras, pode-se dizer que esta abordagem fornece ferramentas para a escuta corporal.

Nesse contexto, é fundamental reconhecer corpo e mente como uma unidade, um mesmo território, ocupado por estruturas psicossomáticas que se diferenciam pelos diferentes graus de complexidade psíquicas. Essa perspectiva de compreensão opõe-se às ideias vigentes da psicossomática médica, para a qual corpo e mente são tidos como duas estruturas separadas que se influenciam mutuamente.

De acordo com a Escola de Psicossomática de Paris, existe uma relação inversamente proporcional entre a gravidade dos sintomas somáticos e o grau de complexidade do funcionamento psíquico. Isso significa que, em quadros patológicos, quanto mais primitiva e menos complexa for a atividade psíquica e a capacidade de representação, mais poderemos observar alterações somáticas importantes.

Resumidamente, o princípio que rege o funcionamento psíquico dos pacientes que somatizam é a desorganização progressiva, um conjunto de movimentos profundos que atravessam toda a estrutura psicossomática e a negativizam. Ocorre uma espécie de apagamento gradual de todas as formações psíquicas, das mais às menos evoluídas, em consequência da fragmentação generalizada da rede representacional e da ruptura com as fontes pulsionais inconscientes, que pode se dar de forma mais ou menos acentuada. Para Pierre Marty, esses movimentos desorganizadores são decorrentes da pulsão de morte.

A desorganização progressiva desencadeia dois tipos de processos de somatização: a regressão somática e o desligamento psicossomático. Na regressão somática a desorganização se detém em determinado órgão ou segmento corporal, que serve de platô de fixação para que os movimentos evolutivos reorganizadores da pulsão de vida reconduzam aos níveis psíquicos mais complexos. A função do sintoma é deter o processo regressivo e criar as condições necessárias para que o psiquismo se reorganize. Ocorre nas organizações psíquicas neuróticas. Tais movimentos de regressão somática são sustentados pela libido.

Já o desligamento psicossomático refere-se a um processo de longa duração, no qual a regressão atinge os níveis mais primitivos da vida emocional inseridos no somático. Instala-se a doença somática que se cronifica e conduz o sujeito a graus significativos de incapacidade para a vida, podendo levá-lo à morte. Este processo decorre da perda dos valores libidinais e tem como maior consequência a liberação da destrutividade interna. Os parâmetros narcisista e quantitativo, por um lado, e a duração do estado de desligamento pulsional, por outro, concorrem para a instalação e a manutenção da doença somática.

As bases freudianas da psicossomática residem em dois conceitos fundamentais:
– a vida pulsional e as relações de estrutura e funcionamento das famílias de neuroses;
– a oposição entre neuroses atuais e psiconeuroses de defesa.
As pulsões são as operadoras da estrutura psicossomática: ao mesmo tempo a marca do orgânico e do psíquico, assegurando permanentemente o vínculo somato-psíquico. Isso se dá por meio de vias que se originam na geografia do corpo e que confluem ao psiquismo.

2. Como essa abordagem contribui para a compreensão e tratamento das patologias contemporâneas, nas quais o corpo está cada vez mais implicado?

A psicossomática psicanalítica, inicialmente, desenvolveu uma compreensão do funcionamento emocional nas somatizações. No entanto, com o decorrer do tempo, constatou-se seu maior potencial de abrangência. Seu corpo de teorias passou a dar conta também dos quadros psicopatológicos contemporâneos, nos quais há o comprometimento da constituição do narcisismo primário e falhas do processo de simbolização, o que dificulta a transformação do corporal em psíquico.

O corpo, assim, impera como palco da dor psíquica. Nas somatizações, o que se expressa é o corpo libidinal e o sintoma corporal não possui significado, uma vez que houve comprometimento na instauração do recalque primário, substituído pelos processos de recusa e cisão.

Tais conceitos nos auxiliam a compreender o funcionamento de indivíduos com dificuldade de sentirem e de se apropriarem das próprias emoções. Estas acabam por permanecer no corporal devido ao prejuízo da capacidade de representação. O mecanismo descrito é o que está na base das somatizações e dos quadros denominados de clinica contemporânea ou clinica do vazio.

Para os analistas, a dificuldade se encontra na precariedade dos processos de simbolização e mentalização que tais indivíduos geralmente apresentam. Em análise, isso se expressa na ausência da capacidade de associar e abstrair. O vazio interno é preenchido por uma verborragia sem fim, na qual não há espaço para, sequer, um momento de escuta. Fatos do cotidiano são contados sem ligação associativa, sem correlação, sem ligação afetiva. Pode-se observar ainda uma inercia total frente aos fatos da vida. Falta vitalidade, falta libido. Só há o corpo que dói e que se expressa por si, sem representação por meio da palavra. Denominamos esse quadro de depressão essencial, um importante referencial da psicossomática psicanalítica.

Nesses casos, uma das funções do analista é tentar estabelecer as correlações possíveis que se perderam.

3. Qual será o enfoque da Jornada e principais presenças/temas?

Nesta Jornada, duas conferências irão contextualizar a psicossomática psicanalítica na clínica contemporânea.

Diana Tabacof, membro da Sociedade Psicanalítica de Paris e do Instituto de Psicossomática de Paris, discorrerá sobre a psicossomática psicanalítica hoje: o modelo pulsional da Escola de Paris.

Mikel Zubiri, analista didata da Sociedade Psicanalítica de Madri, discutirá a abordagem psicanalítica dos pacientes somáticos graves.

Além das conferências, haverá três mesas redondas com a participação de colegas brasileiros que investigam e trabalham com este tema. O foco aqui é refletir sobre as relações da psicossomática com o narcisismo, com o meio ambiente e com a dor psíquica. Por fim, a apresentação de material clínico vai propiciar uma análise cuidadosa das vicissitudes da prática clinica, nesse campo.

Fontes:
Comissão Organizadora da 1ª Jornada de Psicossomática Psicanalítica da SBPSP: Victoria Regina Béjar, Candida Sé Holovko, Denise Aizemberg Steinwurz, Eliana Riberti Nazareth e Silvia Joas Erdos.

A palavra foi feita pra dizer

Para quem gosta de literatura, a exposição Conversas de Graciliano, em cartaz no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, é uma ótima dica.

O projeto no MIS foi executado a partir do recém lançado livro Conversas, de Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla, em que estão reunidas 25 entrevistas que o escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953) concedeu a jornais e revistas, ao longo de sua vida.

A ideia da exposição foi exatamente dar voz a Graciliano – voz da qual, na verdade, não existe registro algum. As entrevistas são, assim, uma forma direta de ouvir o que o escritor tinha a dizer, para além da sua produção ficcional. E, ao contrário da imagem sisuda e focada em sua própria obra que às vezes transparece em sua ficção, nas entrevistas Graciliano se mostra um homem que falava sobre tudo, era bem humorado, irônico e autocrítico.

Na mostra, há vídeos sobre a vida do escritor e depoimentos. As frases estampadas na parede, sem exceção, são todas do próprio Graciliano. Em um dos painéis, há uma entrevista encenada em que o ator Marat Descartes, no papel de Graciliano, conversa com o jornalista Edney Silvestre.

Depoimentos de algumas personalidades compõem a mostra audiovisual. Entre eles, Alcides Villaça, Antonio Carlos Secchin, Luiz Costa Lima, Luiz Ruffato, Luiza Ramos Amado, Ricardo Ramos Filho, Marçal Aquino, Marcelino Freire, Maria Rita Kehl, Nuno Ramos e Silviano Santiago. Ao todo são 20 depoimentos, disponíveis em um monitor.

O livro de Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla é resultado de um trabalho intenso: foram mais de dez anos pesquisando não apenas a obra de Graciliano, mas também fontes primárias, como jornais e documentos oficiais. E um traço marcante de sua obra, que fica bem evidente, é o fato de cada capítulo ser singular e possuir força dramática, concisão e autonomia, como se fossem contos. Essa particularidade formal tem tudo a ver com o seu contexto de vida e a necessidade financeira, que o levou a publicar contos/capítulos, crônicas e artigos na imprensa da época.

Vidas Secas, o romance mais conhecido de Graciliano, é um exemplo disso. Antes de ser lançado em livro, os 13 capítulos – independentes entre si – já tinham sido publicados separadamente, como contos, no jornal. Vidas Secas foi, por esse motivo, chamado por Rubem Braga de “romance desmontável”.

Com curadoria de Selma Caetano, a exposição no MIS é gratuita e fica aberta até o dia 09 de novembro.

Para mais informações, acesse o link: http://tinyurl.com/lchfgqf

Ideias de Thomas Ogden e André Green são tema de colóquio na SBPSP

Na próxima semana acontece, entre os dias 1º e 03 de agosto, na sede da SBPSP, o colóquio “Diálogos Psicanalíticos Contemporâneos”, que discutirá alguns conceitos fundamentais do pensamento de dois psicanalistas: André Green e Thomas Ogden.

Ambos, Green e Ogden, deixaram sua marca na história da Psicanálise e figuram, sem dúvida, entre seus principais pensadores.

André Green foi um psiquiatra e psicanalista francês, cuja obra é reconhecida pelo volume de suas publicações em livros, artigos e conferências, pela diversidade e originalidade dos temas tratados e pelo rigor à teoria freudiana.

Em seus trabalhos teóricos e clínicos, Green aprofundou-se na metapsicologia freudiana, abordando temas como afeto, os casos-limite, a clínica do vazio, a teoria do negativo, o narcisismo negativo, a alucinação negativa, a psicose branca, o irrepresentável e a pulsão de morte e a mãe em todos os seus estados – mãe morta, mãe fálica, mãe negra.

Sob influência de Donald W. Winnicott, Melanie Klein, Wilfred Bion e da psicanálise francesa, André Green foi um clínico atuante, membro titular da Sociedade Psicanalítica de Paris e presidente da instituição, em 1987.

Trabalhou ativamente até pouco tempo antes de falecer, em janeiro de 2012.

Thomas Ogden, ainda vivo, é também psiquiatra e fez sua formação em psicanálise na cidade de São Francisco, no San Francisco Psychoanalytic Institute, nos Estados Unidos, onde nasceu. Posteriormente, Ogden continuou os seus estudos na Tavistock Clinic, em Londres.

Em seus anos de estudos, Ogden dedicou-se aos grandes temas da psicanálise, sendo a sua principal contribuição os conceitos de terceiro analítico e de posição autista-contígua.

O terceiro analítico é um conceito que explica o processo analítico a partir de um novo olhar e de uma visão dialética entre o sujeito e o objeto, ressaltando-se a intersubjetividade. De acordo com esse constructo teórico, os sujeitos da análise – analista e analisando – criam-se mutuamente, um não existe sem o outro, embora permaneçam intocados os contornos de suas individualidades.

Nesse processo, não se trata de conceber o analisando *apenas* como sujeito da investigação; ou o analista como um mero observador dos esforços do analisando. Ambos atuam como sujeitos e objetos no processo e é dessa inter-relação entre as subjetividades que se produz o terceiro analítico.

Já o conceito de posição autista-contígua refere-se às organizações psicológicas mais primitivas da mente humana, ainda anteriores às posições esquizo-paranóide e depressiva, propostas por Melanie Klein.

Essa posição é pré-simbólica, vivida no plano sensorial e responsável pelas primeiras experiências de self. Quando o desenvolvimento se dá da forma esperada, essa posição é o pano de fundo e o delimitador sensorial para as experiências posteriores da vida psíquica.

Entre suas principais referências estão Sigmund Freud, Melanie Klein, Wilfred Bion e Donald W. Winnicott.