‘Depressão: expressões na infância’, ‘Criança: qual o mundo para ela?’ e ‘Fenomenologia e Psicanálise: o lugar do corpo na clínica’

Confira os resumos das apresentações de Audrey Setton Lopes de Souza, Vera Regina Marcondes Fonseca e Marilsa Taffarel no II Simpósio Bienal SBPSP – Fronteiras da Psicanálise: a clínica em movimento.

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Depressão: expressões na infância

A depressão, como sintoma na infância, pode se manifestar, sim, por um lado, como apatia, autodepreciação, sentimentos de não ser amado pelos pais e pelos amigos, mas também como agitação, hiperatividade, dificuldades de aprendizagem, mentiras, comportamentos antissociais, agressividade ou mesmo sintomas hipocondríacos. Em psicanálise, não consideramos apenas o sintoma aparente, mas sim todo o aspecto dinâmico das manifestações e por isto é possível considerar alguns comportamentos como representando a tentativa da criança de se defender de angústias depressivas.

Para entender esta questão é preciso entender que no desenvolvimento infantil existe o que alguns autores destacam como depressividade, isto é, o desenvolvimento implica na elaboração de alguns lutos imprescindíveis para o caminho rumo ao crescimento.

Quando estamos no campo do infantil precisamos destacar a importância da elaboração do primeiro grande luto: a percepção da mãe como um objeto separado, com todas as angústias daí decorrentes, a perda da onipotência infantil, o medo da perda real deste objeto amado, a culpa, a responsabilidade, a preocupação com o outro.

Aí estaria a grande questão do desenvolvimento psíquico, como viver a depressividade sem ser vencido por ela e sucumbir à depressão ou ter que recorrer a maciças defesas para não entrar em contato? Este é o campo que gostaria de explorar para abordar as diversas manifestações da depressão na infância.

Assim destaco a importância de estarmos atentos a estas manifestações, que precedem a depressão propriamente dita, oferecendo uma escuta a estas manifestações como agitação, agressividade ou mesmo atitudes onipotentes e desafiadoras, podendo encobrir a emergência de estados depressivos. Outro aspecto destacado na literatura é que alguns destes sintomas podem ser entendidos como um pedido de socorro da criança para que o adulto possa olhar para ela e dar voz a suas angústias.

É sempre importante destacar que nenhum destes sintomas deve ser considerado isoladamente e sim dentro de um contexto mais amplo, como algo que revela a existência de um conflito. Às vezes pode ser uma manifestação temporária como reação a alguma perda, outras vezes, quando alguém se propõe a ouví-la, entendendo suas manifestações como uma forma de pedido de ajuda, isto permite que a criança consiga elaborar suas dificuldades. Assim sendo, o pedido de ajuda de um psicanalista deve ser pensado quando estes comportamentos se instalam ao longo do tempo, evidenciando o sofrimento infantil e a dificuldade de encontrar outras soluções para seus conflitos.

Em face da pandemia do Covid-19 que nos atingiu de forma abrupta, o foco desta mesa será aprofundar a conversa de um ponto de vista metapsicológico sobre os possíveis destinos que poderemos dar às marcas psíquicas deixadas no seu rastro: trauma, ausência de representação… sentidos possíveis?

Eixo 1: A clínica em movimento
Sábado, 22/8
das 9:00 às 10:30
Mesa: Depressão: expressões na infância
Leonardo Posternak (HIAE) e Audrey Setton Lopes de Souza (SBPSP)
Coordenação Monica C. A. Povedano (SBPSP)

*Audrey Setton Lopes de Souza é membro efetivo e docente da SBPSP, professora aposentada do IP-USP, Doutora pelo IP-USP, professora do curso de Psicanálise com crianças do Sedes Sapientiae.

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Criança: qual o mundo para ela?

Para apresentar sua visão sobre o mundo suficientemente bom para o desenvolvimento da criança, parto dos seguintes princípios:

1- A adaptação da sociedade e do Estado às necessidades da criança, que implica também a proteção ao casal parental para que se dediquem à tarefa de criá-la, é um elemento fundamental (ainda que não suficiente) para o desenvolvimento de um mínimo de segurança básica, a partir da qual diversos desenlaces podem ocorrer.

2- Tal proteção é essencial, pois a vulnerabilidade e o medo modulam a infância do homem e seu desenvolvimento, sendo tarefa precípua dos pais e da sociedade criarem um ambiente em que o medo possa ser minimamente elaborado.

A elaboração dependerá tanto da realidade externa quanto dos recursos de transformação simbólica que permitirão à criança negociar com o perigo e o medo, sem expulsá-los imediatamente, o que levaria às defesas maníacas, mas também sem se deixarem massacrar e paralisar por eles.

Finalizo a apresentação com a descrição do sonho de uma infância em que tais condições seriam facilitadas pela sociedade e pelo Estado.

Sábado, 22/8
das 11:00 às 12:30
Eixo 1: A clínica em movimento
Mesa: Criança: qual o mundo para ela?
Ana Cristina de Araújo Cintra (Instituto Acaia) e Vera Regina Marcondes Fonseca (SBPSP)
Coordenação Marielle Kellermann Barbosa  (Instituto-SBPSP)

*Vera Regina Jardim Marcondes Fonseca é analista didata e docente da SBPSP, psiquiatra, Pós-doutora pelo IP-USP, Diretora do Instituto Durval Marcondes da SBPSP, membro do Editorial Board do Int Journal.

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Fenomenologia e psicanálise: o lugar do corpo na clínica

O propósito da fenomenologia é voltar à experiência vivida (Lebenswelt) para cuidadosamente descrevê-la. Sem aventar hipóteses.

A fenomenologia propõe um contato anti-conceitual, anti-predicativo com o mundo. Suspendendo todos os julgamentos sobre as coisas para que delas recuperemos a presença.

Uma concepção fundamental da fenomenologia é da consciência como sendo sempre consciência de algo. Não ha separação entre ela e o mundo.

A psicanálise mostrou um recuo em relação à fenomenologia e ao perigo de perder sua potência transformadora caso permanecêssemos no plano dos fenômenos.

Nessa apresentação, falo brevemente sobre dois psicanalistas que, entre outros, puderam aproveitar o legado da fenomenologia em alguma de suas vertentes. Fábio Herrmann e P. Fédida, cada um a seu modo. Fábio, na redescrição que faz do método psicanalítico e Fédida, do qual tomo sobretudo um ensaio.

Fédida chama toda atenção para o que deve ser “posto entre parênteses”, suspenso: a margem exterior da linguagem – a da significação estabelecida – a fim de nos abrirmos para a margem interior, onde se encontra a “magia da linguagem”. (W. Benjamin)

O nome é para os gregos antigos – o lado interior da linguagem, o que fala a coisa mesma. Ele está dirigido para uma objetificação primária, uma metáfora original, enquanto a objetividade secundaria está na significação.

Precisamos esquecer nossas representações veiculadas por nosso hábito de pensar, dependentes do discurso por isso conscientemente harmoniosas, consonantes para irmos em direção ao dissonante que nos põe em contato com a alma do corpo.

Sábado, 29/8
das 9:00 às 10:30
Eixo 2: Psicanálise: diálogo nas fronteiras
Mesa: Fenomenologia e Psicanálise: o lugar do corpo na clínica
Miguel Calmon du Pin Almeida (SBPRJ) e Marilsa Taffarel (SBPSP)
Coordenação Mariangela de O. Kamnitzer Bracco (Instituto-SBPSP)

*Marilsa Taffarel é membro efetivo da SBPSP, docente do Instituto Durval Marcondes da SBPSP, psiquiatra pela Escola Paulista de Medicina, Doutora em Psicanálise pela PUC-SP. 

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Acesse aqui a programação completa do II Simpósio Bienal SBPSP

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