Mês: dezembro 2019

ALGORITMOS = SIGNIFICANTES ENIGMÁTICOS? CONTRIBUIÇÕES DE LAPLANCHE

* Dora Tognolli

O professor  israelense Yuval Harari, autor do best-seller Sapiens, trata da história da humanidade de forma clara e instigante. Um de seus focos é a importância da informação, dos dados e do poder que gravita a seu redor. Explica como os algorítmos nos conduzem a decisões, consumos, escolhas, como se as operações matemáticas que ocorrem nas redes, abastecidas por nós, soubessem de nós o que ainda desconhecemos. Numa recente entrevista no programa Roda Viva, o Prof. Harari dá um exemplo: um sujeito que desconhece seu desejo homoerótico ao se relacionar com as redes fornece inputs que permitem que o algoritmo perceba antes dele esse desejo. Parece assustador, mas ele não oferece nenhuma explicação mística: trata-se de mistérios do algoritmo, que acompanha o passo a passo do qual o sujeito não se dá conta. A matemática explica, a lógica também. E a Psicanálise trata disto: desde sua constituição.

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Caminho de Laplanche

Laplanche nada mais é do que um grande admirador de Freud, que usa de seu rigor e inteligência para iluminar conceitos que ele coloca no rol dos fundamentos, do que é fundante, que não pode se perder dentre tantos escritos, comunicações e cartas de Freud. Laplanche chega a admitir que pratica uma espécie de “fidelidade infiel” a Freud: ignora certas considerações, enquanto que valoriza ou transforma outras, sempre baseado no próprio Freud, tomando em conta o conceito de tradução, que Freud e ele próprio problematizam.

A partir da correspondência de Freud, da tradução do alemão, do vocabulário de Psicanálise, em parceria com Pontalis, Laplanche tem na mão os roteiros que Freud trilhou e construiu, que merecem ser olhados em toda a dinâmica e complexidade. E os textos de Freud, como todos sabemos, contêm uma potência que permite que a cada leitura nossos sentidos avancem em direções inusitadas ou criem novos circuitos de entendimento.

O salto do Projeto (corpo biológico) para o capítulo 7 da Interpretação dos Sonhos (corpo erógeno), sem perder o corpo (sexualidade), é considerado um desses fundamentos. Nesses textos vão se estabelecendo a indestrutibilidade do desejo, seus caminhos diversos e o estatuto do inconsciente, um outro em nós, o estranho – Unheimlich, recentemente traduzido como  Infamiliar.

Conceitos interessantes de Freud são retomados, por exemplo, desamparo (Hilflosigkeit), temporalidade em duas fases (Nachträglichkeit que quer dizer, mais ou menos, carregar/trazer, depois; ou acrescentar algo a um escrito ou fala; ou numa outra direção, guardar rancor, não esquecer), tudo a ver com recalcado, resto, retorno do recalcado.

A ideia de situação originária ou fantasia originária, retomada por Laplanche, tem a ver com a origem, fundação, e não causa primeira. Essa situação é o mero confronto do recém-nascido (Hilflos = desamparado, abandonado) com o mundo adulto. Com a introdução do conceito de metábola coloca-se um hiato entre o inconsciente da mãe (que também lhe é estranho e enigmático) e sua cria, momento de fundação, onde se constitui um recalque primário.

Exemplo interessante trazido por Freud nos Três Ensaios, o aleitamento: o seio, que veicula alimento e significados eróticos e sexuais, dos quais nem a mãe se dá conta. Enigmas também para o adulto…

A sexualidade humana é portadora de mensagens enigmáticas para a criança que a recebe e por elas é marcada, e para o adulto que as emite, sem se dar conta do resto que também porta. A criança presente no adulto guarda essa marca do enigma e essa é a matéria-prima de suas mensagens.

Temos um primeiro tempo, anódino, de inscrição, reativado por um segundo tempo: daí o trauma em dois tempos. O segundo trauma ou acontecimento, que encontra o sujeito mais preparado, reativa o primeiro, ressignificado.  Laplanche nos lembra que o ataque vem da lembrança, vem de dentro e não do acontecimento. A transferência, na análise, seria um caso particular dessa revivescência. Em Freud, como bem aponta Laplanche, há sempre uma tensão entre a cena antiga e o roteiro recente: dois tempos.

Na carta de Freud a Fliess, de 21 de setembro de 1897, lemos: “não acredito mais na minha neurótica” – momento marcante, em que Freud coloca em questão os relatos de abusos de crianças por um adulto, muito frequentemente os pais, que surgiam no tratamento das histéricas. Laplanche volta-se a esse momento, em que o sexual está no cerne do conflito: presença marcante  do mundo interno, esse desconhecido produtor de fantasias que borram a realidade, o factual.

Ao tratar do sexual, da pulsional, Freud assumirá a etiologia sexual, subjacente ao conflito humano e ao sintoma, que escapa à compreensão do sujeito. Podemos afirmar, com Freud e Laplanche, que a sexualidade é traumática, deixa restos, em busca de retraduções e coloca em movimento o aparelho precário infantil, que assim se constitui. A figura do outro (mãe, por exemplo), surge para dar sentido, traduzir, incluir na cultura e, também traumatizar, uma vez que esse outro também porta seus próprios significantes enigmáticos. Caminho necessário para a entrada no mundo. De certa forma, saímos da sedução tout court, factual, para uma sedução generalizada, inexorável.

Cabe aqui uma expressão utilizada por Melanie Klein, que a partir do tratamento de crianças muito pequenas e com sua capacidade de observação, percebeu que o corpo infantil é uma espécie de bólido incandescente que no contato com a mãe [adulto] vai progressivamente esfriando.

Fogo, corpo, adulto-criança, trauma, enigmas, prematuridade, infans = sem fala: terreno propício por Laplanche retomar o conceito de sedução, necessário à constituição do psiquismo, e tratar dos significantes enigmáticos, como destino de todos nós. Eis aqui alguns dos fundamentos do psiquismo, que Laplanche toma como pilares, para tecer sua teoria.

Retornando aos algoritmos, medidas externas de nosso estranho, que escapa, Freud percebeu desde cedo que algo em nós tem um quê de estranhamento, de enigmático. E é essa matéria-prima de nosso ofício “impossível”, mas necessário, em especial nos dias atuais, em que o outro é facilmente confundido com o inimigo, que precisa ser aniquilado.

Dora Tognolli é psicóloga e psicanalista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e mestre em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP).

A importância da noção de apoio na teoria freudiana

* Eduardo Zaidan 

Um conceito de suma importância na teoria das pulsões de Freud é o apoio (anaclisis, na tradução de Strachey).

Este conceito aparece nos Três ensaios, quando Freud escreve que: “Assim como a zona labial, a localização da zona anal a torna adequada para favorecer um apoio da sexualidade em outras funções do corpo” (Freud, 1905/2016, p. 91).

Na terceira edição dos Três ensaios, em 1915, Freud afirma que: “No começo, a satisfação da zona erógena estava provavelmente ligada à satisfação da necessidade de alimento. A atividade sexual se apoia primeiro numa das funções que servem à conservação da vida, e somente depois se torna independente dela” (Freud, 1905/2016, p. 85-86). Isto é, inicialmente havia uma necessidade de nutrição, da qual a necessidade de repetir a satisfação sexual se descola (Freud, 1905/2016, p. 86).

Nessa mesma edição, Freud adiciona que uma das características essenciais da manifestação sexual infantil é que “surge apoiando-se numa das funções vitais do corpo […]” (Freud, 1905/2016, p. 87).

No segundo artigo sobre a Psicologia do amor, Freud pontua que: “As pulsões sexuais acham seus primeiros objetos apoiando-se nas avaliações das pulsões do Eu, exatamente como as primeiras satisfações sexuais são experimentadas apoiando-se nas funções corporais necessárias à conservação da vida” (Freud, 1912/2013, p. 349-350).

Freud voltará a discutir a noção de apoio em Introdução ao narcisismo, para apresentar a escolha de objeto por apoio. Neste caso, percebe-se que o sujeito se apoia no objeto das pulsões de autoconservação para a escolha de um objeto de amor (Freud, 1914/2010, p. 31-32). Ou seja, a mãe que nutre e o pai que protege – os objetos das pulsões de autoconservação ou pulsões do Eu – serão os modelos da escolha do objeto de amor (Freud, 1914/2010, p. 36).

Mas qual é, afinal, a importância desse conceito que foi negligenciado por parte significativa da psicanálise pós-freudiana? Laplanche e Pontalis (1967/2001) resgataram o conceito de apoio para assim evitar a ideia de uma sexualidade endógena, natural, uma vez que, com a noção de apoio, se assegura a origem infantil e intersubjetiva da pulsão.

Em outras palavras, a sexualidade se desenvolve na relação com um outro – esta ideia é elementar.

Portanto, não se trata de negar o instinto, nem de que este tem um objeto natural, como por exemplo a fome, mas de que a pulsão, apoiada no instinto, se descola deste. Este é um dos pilares da teoria das pulsões de Freud: a pulsão não tem um objeto a priori, o que significa que o desejo, diferentemente do instinto, não é natural.

Se o desejo não é natural, é porque não está presente no nascimento, mas é animado na vivência de satisfação. O desejo, portanto, corresponde a um impulso psíquico que anseia a repetição da situação da primeira satisfação (Freud, 1900/2019, p. 617-618).

O sexual, no sentido freudiano, por conseguinte, não pode ser confundido com o instinto ou com qualquer função biológica.

Freud revolucionou a concepção de sexualidade ao afirmar o polimorfismo sexual na criança (Freud, 1905/2016, p. 98). Sobre isso, escreve Lacan: “Desde os Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, Freud pôde colocar a sexualidade como essencialmente polimorfa, aberrante” (Lacan, 1964/2008, p. 174).

Esta revolução na maneira de compreender a sexualidade humana é um verdadeiro novo aporte ético. A concepção científica da sexualidade, no século XVIII, assumia que a sexualidade era o instrumento biológico da propagação das espécies. Para esta concepção, a sexualidade teria uma função biológica (Monzani & Bocca, 2015, p. 22).

A psicanálise freudiana é uma subversão dessa compreensão dita “científica”, na medida em que entende o desejo como um circuito paralelo e independente do biológico. Portanto, a sexualidade humana não tem nada a ver com o instinto reprodutor, com o qual a pulsão pode eventualmente se encontrar, mas não necessariamente (Monzani & Bocca, 2015, p. 41).

É preciso reiterar que a leitura da sexualidade infantil como perversa polimorfa é mais do que um aporte conceitual, é um aporte ético. Isto significa que, na clínica psicanalítica, não há lugar para a patologização do desejo, uma vez que a pulsão é independente de qualquer função biológica.

Este é um dos cernes da clínica psicanalítica: a oposição conceitual e ética a qualquer clínica normatizante do desejo.

 

Referências

Freud, S. (1900). A interpretação dos sonhos. Obras completas, volume 4. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Freud, S. (1905). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Obras completas, volume 6. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

______. (1912). Sobre a mais comum depreciação na vida amorosa (Contribuições à psicologia do amor II). Obras completas, volume 9. São Paulo: Companhia das letras, 2013.

______. (1914). Introdução ao narcisismo. Obras completas, volume 12. São Paulo: Companhia das letras, 2010.

Lacan, J. (1964). O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

Laplanche, J. & Pontalis, J.-B. (1967). Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Monzani, L. & Bocca, F. Novo aporte ético em face da concepção freudiana da sexualidade. Ipseitas, São Carlos, vol. 1, n. 1, p. 21-44, jan-jun, 2015.

 

* Eduardo Zaidan é psicanalista, membro filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP.

 

 

O psicanalista nas fronteiras

 Entre o sonho e a dor

 * Talya S. Candi

 O limite e a psicanálise contemporânea

A psicanálise contemporânea avança firmemente rumo às fronteiras e nos obriga a debruçarmos sobre o que o psicanalista André Green denominou de metapsicologia dos limites. É o que indicam os múltiplos colóquios e ciclos de conferências organizados pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e pela Federação Psicanalítica da América Latina (Fepal) que abordam este tema.

O conceito de “fronteira” surge em 1975, a partir da noção de “limites da analisabilidade”, (título da revista Nouvelle Revue de Psychanalyse n°10, editada pelo psicanalista J.B Pontalis com a colaboração de A. Green).   A partir deste momento começa a surgir uma  clínica  psicanalítica ampliada dos  estados limites  que  não designa uma nova categoria clínica (o paciente borderline,  não neuróticos ou psicossomático), mas  propõe trabalhar  a partir de uma  nova tópica:  uma tópica  que coloca o trabalho analítico no limite do funcionamento mental do analista,   entre a possibilidade de escuta dele próprio  e  do paciente. Tratam-se, por definição de pacientes, situações, estados, experiências que põem em xeque o método interpretativo psicanalítico clássico e exigem por parte do analista uma   firme implicação afetiva e uma elasticidade técnica.

Percebendo a potência heurística da noção de limite e das áreas fronteiriças, André Green, incorpora, em 1976, a noção de limite ao arsenal metapsicológico freudiano e a transforma num dos conceitos mais fundamentais da psicanálise contemporânea. Diz ele: “Devemos considerar o limite como uma fronteira móvel e flexível, tanto na normalidade quanto na patologia. O limite é, talvez, o conceito mais fundamental da psicanálise contemporânea. Ele não deve ser formulado em termos de representação figurada, mas em termos de processos de transformação de energia e de simbolização” (1976, p. 126).

A metapsicologia dos limites  é  uma quarta dimensão metapsicológica  que se soma à dimensão econômica, topológica e dinâmica, e instrumentaliza o psicanalista para que possa se  debruçar  sobre  as mudanças  psíquicas  e  as transformações  que acontecem entre o Id, Ego e Superego, entre o inconsciente e o consciente, entre o dentro e o fora, tanto do lado paciente quanto do lado  analista.

Entre o sonho e a dor: O duplo limite

Neste novo contexto, a própria concepção do aparelho psíquico começa a ser vista a partir da referência ao limite, pois a funcionalidade do aparelho mental, a sua plasticidade e a sua capacidade de se movimentar, reside em suas duas áreas fronteiriças. A primeira área intersubjetiva permite a delimitação e a interação do mundo de dentro e do mundo de fora, a segunda intrapsíquica  (que pode ser comparada ao pré-consciente) serve de barreira de contato entre os conteúdos conscientes e inconscientes, funcionando como uma pele psíquica porosa para a vida fantasmática do inconsciente e do sonho, na interseção destes dois eixos encontram-se os processos de pensamento[1].

Surge assim um modelo original de um aparelho psíquico contemporâneo formado por um duplo limite (Green, 1982) idealizado pelo A. Green a partir da metapsicologia dos limites.

Sem fronteiras funcionando adequadamente, o psiquismo se estrutura precariamente, mantém-se a impossibilidade de organizar o tempo e o espaço, domina a bidimensionalidade (particularmente no âmbito edípico) e a circularidade temporal. Nesta configuração, a capacidade de sonhar é frágil, o pensamento não consegue se desenvolver como um meio capaz de produzir mudanças psíquicas, transformar a realidade e torna-se uma ruminação interminável, onde predominam afetos fragmentados tais como o isolamento e o ressentimento.

Green insiste repetidamente na necessidade de trabalhar a partir de uma dupla referência ao limite formada por dois polos complementares e antagônicos (uma dupla significância, dupla representância), já que na psicanálise o polo interno ligado ao inconsciente é constitutivo da percepção da realidade e, inversamente os conflitos que vivemos na realidade externa, vai construir nosso inconsciente.

 Novos caminhos para pesquisa psicanalítica contemporânea

Gostaríamos de sugerir que o modelo greeniano do duplo limite aponta para duas direções de pesquisa teórico-clínica, dois campos complementares e antagônicos que não se confundem entre si, mas que trabalham em ressonância e ecoam inevitavelmente entre si.

Por um lado, temos o trabalho na vertente do limite intersubjetivo, dentro e fora, que aponta para a pesquisa da psicanálise extramuros e dos pacientes não-neuróticos. Para realizar tal tipo de pesquisa o analista contemporâneo deve estar preparado para trabalhar em situações concretas de carências e desamparo, trabalhando na comunidade, em parceria com a saúde pública em instituições variadas (creches, escolas, hospitais, presídios), com populações que frequentemente não teriam condições de chegar para o consultório.

Denominamos este tipo de trabalho:  trabalho da dor.  O analista terá que perder a sua identidade e mergulhar nas vivências traumáticas e nas transferências dolorosas para representar o irrepresentável, criar sentido, elaborar a sua impotência e insuflar vida em situações extremas.

Ora este campo intersubjetivo no limite da analisabilidade somente pode percorrer o caminho das transformações se é elaborado pelo limite interno intrapsíquico regido pelo trabalho do sonho, que outorga figurabilidade e representação a dor psíquica.  

Abre-se assim um segundo campo de pesquisa tão importante quanto o primeiro ligada ao limite intrapsíquico que se inaugura na própria análise do analista.  Esta segunda frente de pesquisa teórico-clínico instrumentaliza o analista para lidar com os conflitos internos, ampliando a sua imaginação clínica, a sua capacidade de sentir, viver os afetos catastróficos e perturbadores e de pensar o impensável usando símbolos para sonhar e brincar com as experiências. É a capacidade de sonhar as experiências que permite representar e transformar os afetos agônicos em pensamento, ampliando a espessura do limite pré-consciente e inconsciente.

Somente por meio desta dupla pesquisa, sonho e dor que o analista contemporânea poderá ampliar seu poder de ação e avançar nos territórios dos limites da analisabilidade, usando da transferência para deixar se colocar entre sonho e realidade, dentro e fora, passado e futuro.

O psicanalista nas fronteiras é um sujeito aberto às transformações, que se debruça sobre as vicissitudes das mudanças psíquicas que acontecem nele próprio e no seu paciente.  É a capacidade de sonhar nossas experiências que dá sentido para nossa precária humanidade, através dos múltiplos cortes e suturas que transformam a repetição em memória e viabilizam o desenrolar de criação de sentido da nossa experiência de vida.

Neste novo mundo sem  sentido no qual a concretude ganha cada vez mais espaço, cabe ao psicanalista a difícil tarefa de ter uma identidade fluida, uma escuta polifônica que possibilite  criar um diálogo entre  os nossos anseios  mais internos ligados à nossa fragilidade, desamparo e dor, que caracteriza o humano e as exigências de uma  realidade externa cada vez mais cruel e exigente.

Bibliografia

C, Botella (organizador): Penser les limites:  Ecrit en honneur dAndré Green, Ed Delachaux et niesttle, Paris, 2002

  1. Candi: O Duplo Limite: O aparelho psíquico de André Green, ed. Escuta, 2010
  2. Green, 1982: O duplo limite. in a Loucura privada: psicanálise dos casos limites, Ed Escuta, 2017

 

* Talya Saadia Candi é psicanalista, Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), autora do livro “O Duplo Limite: O Aparelho Psíquico de André Green” e organizadora do livro “Diálogos Psicanalíticos Contemporâneos”, ambos da ed. Escuta.

 [1] Remeto o leitor interessado ao texto de André Green intitulado “O duplo limite”, 1982