Comissão Arns: direitos humanos sempre e sem retrocesso

* Laura Greenhalgh

Celebramos o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas (1948-2018) em meio a muitas incertezas – como equacionar a crise imigratória que afeta tantos países e consome milhares vidas? Como diminuir a desigualdade no planeta? Como imaginar um futuro sustentável para as nossas crianças com a destruição irresponsável do meio-ambiente? São ameaças àquelas mesmas garantias de ¨liberdade e dignidade para todos¨, estabelecidas na Carta da ONU.

No Brasil, doses extras de ceticismo e preocupação. Numa sociedade bastante polarizada, onde a ideia de bem-estar social tem sido erodida pela voracidade do mercado com o beneplácito das classes dirigentes, falar em direitos humanos tornou-se convite para a retaliação. A desqualificação. A destruição do ¨outro¨. A violência. Não são poucos os que conjugam o bordão da intolerância: ¨direitos humanos só para humanos direitos¨.

Foi nesse contexto que um grupo de brasileiros de gerações, biografias e trajetórias distintas, mas cujo elo comum tem sido a permanente defesa dos direitos humanos, organizou-se para constituir a Comissão Arns, instalada oficialmente na manhã de 20 de fevereiro de 2019, em ato na Faculdade de Direito da USP.

Não se trata de uma comissão com filiação político-partidária. Nem antigovernista, por definição. Somos uma comissão suprapartidária que atua em rede com entidades na defesa dos direitos humanos. Olhamos para graves violações cometidas contra mulheres, crianças, adolescentes, negros, a população LGBT, os indígenas e outros grupos discriminados.

Muito há por fazer nessa vasta arena de conflitos. De saída, para que não haja retrocesso em marcos legais e institucionais firmados pelo Brasil quanto à proteção desses direitos. E para denunciar violações graves numa conjuntura de poder que propagandeia excentricidades via redes sociais, ocultando uma agenda de interesses ainda não tão visíveis, talvez inconfessáveis.

É nesse campo de atuação coletiva e cidadã que a Comissão Arns pretende atuar, tomando como inspiração o seu patrono, Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Acreditamos que Dom Paulo deve ser lembrado não só como o líder religioso de visão ecumênica que foi; mas, sobretudo, como o defensor incansável de todos aqueles que se encontram privados de direitos.

Laura Greenhalgh é jornalista e membro da Comissão Arns.

Foto: Anistia Internacional

2 comentários

Comente aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s