Conversa Psicanálise e Semiótica

Afinada com o espírito de nosso tempo, do risco do radicalismo e da intolerância ao diferente, a diretoria científica da SBPSP propôs  como eixo geral para as suas atividades, o tema “O mesmo, o outro”.  E seguindo este tema, trabalha com a noção de porosidade.

 

Nossa ideia é a de  pensar o corpo psicanalítico como uma pele disposta às influências internas e externas. Assim, cabe pensarmos na porosidade da Psicanálise voltada para outras áreas do conhecimento.

 

O formato “Conversas” surge da ideia de apresentarmos psicanalistas que se dedicam ao estudo da interface da Psicanálise com outros campos do conhecimento em conversa com profissionais de outras áreas, que se dedicam ao mesmo campo. Esta é uma oportunidade para conhecermos como outra disciplina comparece em seu pensamento e no seu exercício clínico.

 

No sábado, dia 12 de agosto às 9 horas, no auditório da SBPSP, teremos a primeira Conversa Psicanálise e Semiótica.

 

A Semiótica é a ciência que investiga os fenômenos como produtores de significação e sentido. Os seus nomes fundamentais são os linguistas Ferdinand de Saussure (1857-1913) e Algirdas Julien Greimas (1917-1992), e o filósofo e matemático americano Charles Sanders Peirce (1839-1914). Contemporâneo de Freud, Peirce nunca o conheceu. No entanto, podemos encontrar importantes  aproximações entre as duas disciplinas.

 

O foco de Peirce está em como percebemos os fenômenos e em como significamos as nossas experiências.  Partindo do ponto de que para conhecer algo o homem  produz um signo, ele sugere três categorias de apreensão, três modalidades nas quais os pensamentos são construídos.

 

A “primeiridade” refere à apreensão primeira e imediata dos fenômenos a partir de suas qualidades sensíveis. Ela tem como signo o ícone, que mantém a semelhança com objeto representado.

 

Mas, para que um fenômeno possa existir, ele tem que estar encarnado em uma matéria. Aí está a segunda modalidade de contato, a “segundidade”, cujos signos correspondentes são os índices, que mantêm uma relação causal de contiguidade física com o que representam.  E por fim a “terceiridade”, que aproxima os outros dois em uma síntese  intelectual e tem como signo correspondente o símbolo. Este, não mais ligado diretamente ao objeto, mas às associações multissemânticas de quem o vive.

 

Portanto, neste caminho do signo ao símbolo, podemos notar a importância da Semiótica para a clínica psicanalítica. Perceber, compreender, interpretar em um movimento ininterrupto são matéria tanto para semioticistas quanto para psicanalistas. Estas são as questões que serão abordadas em nossa Conversa Psicanálise e Semiótica. Contamos com a presença do professor Ivo Ibri, da PUC-SP, que apresentará um panorama geral da Semiótica. E com os psicanalistas Paulo Duarte Guimarães Filho  da SBPSP, que abordará a presença das ideias de Peirce na literatura psicanalítica recente  e José Antônio Pavan, da SBPSP e do Núcleo de Psicanálise de Marilia e Região, que vai estabelecer relações da semiótica com a sua clínica.

 

Aguardamos vocês,

 

Silvana Rea

Diretora Científica da SBPSP

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