Transferência

Compreendida como um instrumento do método psicanalítico, a transferência é um fenômeno que se dá na relação analítica, fundamental para o processo. ​P​or meio dela a dupla poderá trabalhar aspectos emocionais inconscientes, que vêm à tona na medida em que reeditamos​ e revivemos,​ ​no tratamento, conflitos e emoções gerador​e​s de sofrimento. O artigo abaixo, da psicanalista e membro da SBPSP, Elsa Susemihl, desenvolve o tema com objetividade e clareza.

Transferência

Por Elsa Vera Kunze Post Susemihl*

A chamada transferência é um conceito fundamental da Psicanálise. Foi descoberta por Freud e ocupa os psicanalistas até hoje, tanto na prática clínica quanto na reflexão teórica.

A transferência se apresenta por meio de determinados modelos de relacionamento com o mundo e com as pessoas. Todos nós os temos mas, às vezes, eles podem estar ligados a sintomas e grande sofrimento psíquico.

Pode ser observada naquelas atitudes e reações emocionais que são sempre iguais e que se repetem, ainda que a situação seja diferente. Podemos pensar em uma pessoa que sempre tem problemas com o chefe, por exemplo, sente-se injustiçada. Muda de emprego inúmeras vezes mas, invariavelmente, encontra um chefe que a trata injustamente. Ou uma pessoa que sofre intensamente de ciúmes e em diferentes relacionamentos/casamentos, o sentimento reaparece e gera a mesma insegurança e sofrimento.

A Psicanálise investiga, no mundo inconsciente, as raízes dessas repetições. Sabemos, desde Freud, que somos regidos por uma área inconsciente da nossa mente. É nessa área que se encontra a origem dos fenômenos transferenciais.

O aparelho psíquico se forma a partir dos fortes vínculos emocionais com os pais ou primeiros cuidadores. As experiências emocionais ligadas aos grandes conflitos com amor, ódio, inveja, ciúme, dependência etc são armazenadas na nossa mente inconsciente. A maneira como elas são vividas é absolutamente pessoal e suas marcas vão compor a nossa individualidade. Carregamos essas marcas vida afora e vamos repetindo a forma pela qual tivemos de lidar com as diferentes situações e conflitos desde estas primeiras experiências. Tudo isso se processa no nosso psiquismo sem que disso tenhamos consciência. Ou seja, transferimos aquilo que vivemos no início de nossa vida para outras situações da nossa vida atual, sem o sabermos.

A transferência se apresenta também na análise, de forma concentrada. Pelas condições especiais do trabalho analítico – uma relação de sigilo e confiança, com encontros regulares e freqüentes, com o uso do divã que propicia um olhar voltado para dentro – a observação dos fenômenos transferenciais é facilitada.

O analista e o analisando podem assim ter acesso ao mundo inconsciente, às fantasias e desejos, às emoções profundas que na atualidade do processo analítico se reapresentam de forma viva novamente. E dessa forma, durante o processo analítico, abre-se a possibilidade de encontrar novas direções e descobrir caminhos alternativos para antigos conflitos.

*Elsa Vera Kunze Post Susemihl é psicanalista e membro da SBPSP

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