Métodos de investigação em Psicanálise

Neste post, discutiremos o uso e aplicação de um método de investigação em psicanálise conhecido como Procedimento de Desenhos-Estórias. O texto abaixo é assinado por Walter Trinca, psicólogo, mestre e doutor em Psicologia, psicanalista membro da SBPSP e especialista no assunto.

Procedimento de Desenhos-Estórias

Por Walter Trinca*

Introduzido em 1972, o Procedimento de Desenhos-Estórias (D-E) é uma técnica psicodinâmica de investigação da personalidade. Assim como a Hora de Jogo Diagnóstica (Aberastury, 1962) e o Jogo de Rabiscos (Winnicott, 1971), o D-E se constitui em uma estratégia de investigação ampla, e não um teste psicológico. Sua aplicação demanda ao examinando 5 unidades sequenciais de desenhos livres e cinco estórias que lhes são associadas imediatamente após cada desenho, seguidas de um “inquérito” e título da produção.

A junção das formas gráficas com as formas de percepção temática tem por objetivo a obtenção de informações sobre as experiências subjetivas, com ênfase na dinâmica inconsciente. Pode ser aplicado individualmente em crianças, adolescentes e adultos que conseguem se comunicar por desenhos e verbalizações; e é indicado nos primeiros contatos com o examinando.

O “inquérito” visa a ampliação das observações por meio de esclarecimentos e novas associações. O uso do D-E não se restringe a situações clínicas, podendo ser empregado em escolas, ambientes judiciais, médicos e outras situações em que os processos mentais necessitam ser investigados. O D-E pode proporcionar uma compreensão abrangente, quando combinado com as entrevistas, a anamnese e outros instrumentos psicológicos.

De modo geral, pode-se afirmar que as imagens gráfico-verbais contidas no D-E estão dentre aquelas que melhor se prestam à comunicação de emoções versáteis e sutis, porque sua natureza é descompromissada e lúdica. Permitem uma abordagem dos pontos conflitivos e dos comprometimentos emocionais por meio da associação livre. O D-E vai ao encontro dos pontos cruciais e dos focos nodais dos desajustamentos psíquicos. Quanto mais aberta e lúdica for a situação do exame, melhor se presta à emergência do desconhecido que necessita se tornar conhecido. Dessa forma, o D-E pode ser interpretado segundo princípios semelhantes à interpretação dos sonhos, preferencialmente pela livre inspeção do material. No conjunto da produção gráfico-verbal de um examinando, geralmente se encontra a convergência das partes em direção a uma comunicação unitária, inteira e indivisa.

*Walter Trinca é psicólogo, mestre e doutor em Psicologia Clínica e psicanalista membro da SBPSP.

4 comentários

    1. Oi Carolina, encaminho os indicações bibliográficas:
      , W. (Org.) Formas compreensivas de investigação psicológica: Procedimento de Desenhos-Estórias e Procedimento de Desenhos de Família com Estórias. São Paulo, Vetor, 2013, 374 p.

      TRINCA, W. (Org.) Procedimento de Desenhos-Estórias: formas derivadas, desenvolvimentos e expansões. São Paulo, Vetor, 2013, 367 p.

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      1. Oi Carolina, encaminho os indicações bibliográficas:

        TRINCA, W. (Org.) Formas compreensivas de investigação psicológica: Procedimento de Desenhos-Estórias e Procedimento de Desenhos de Família com Estórias. São Paulo, Vetor, 2013, 374 p.

        TRINCA, W. (Org.) Procedimento de Desenhos-Estórias: formas derivadas, desenvolvimentos e expansões. São Paulo, Vetor, 2013, 367 p.

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